Porque estamos no “lixo” (e não deveremos sair)

Torres de Luanda. (Foto: D.R.)

Basicamente, o rating de Angola anda ao ritmo do preço do petróleo. Mas por mais caro que esteja o “ouro negro”, enquanto se mantiver a actual petrodependência, o País dificilmente sairá do “lixo”

A Fitch reviu em baixa as perspectivas de rating de Angola de “B+”, com perspectiva estável para “B”, com perspectiva negativa, em resposta à degradação das contas públicas e externas do País.

O rating ou classificação de risco de crédito é uma opinião sobre a capacidade de um país fazer face ao serviço da dívida, isto é, pagar os juros mais as amortizações a que está obrigado no âmbito dos empréstimos que contraiu.

As notas da Fitch vão de “D”, atribuída aos países que entraram em
default, isto é que já falharam o pagamento do serviço da dívida, até
“AAA”, para países com capacidade extremamente elevada de cumprir FILDA 2016 cancelada, primeira com seus compromissos financeiros. Além de atribuir uma classificação, a vez que a maior montra de Fitch divulga também as perspectivas de evolução do rating que negócios do País não se realiza reflectem a probabilidade da nota ser revista.

Em função da nota atribuída pela Fitch, a dívida dos países é classificada em dois grandes grupos: grau de investimento, que começa em “BBB-” e vai até a “AAA”, e especulativo ou “lixo”, que vai de “D” a “BB+”.

Desde que se submeteu ao escrutínio das principais agências internacionais de rating, Moody”s e Standard and Poor”s, além da Fitch, a dívida de Angola sempre foi classificada como lixo. O primeiro rating atribuído a Angola pela Fitch, em Maio de 2010, foi “B+”, com perspectiva positiva. A partir daí foi sempre a subir até “BB-“, com perspectiva positiva. Depois deste pico, o melhor dos graus especulativo, imediatamente antes do grau de investimento, foi sempre a descer até ao “B”, com perspectiva negativa, agora recebido.

Apesar da dívida angolana ser considerada “lixo” pelas três agências, Manuel Nunes Júnior, ministro da Economia à época das primeiras notas,considerouasclassificações”muitopositivas”porquetraduziam”o bom desempenho da economia” do País.

Eu substituiria “bom desempenho da economia” por “bom desempenho do petróleo”. É que, basicamente, o rating de Angola anda ao ritmo do preço do petróleo. Quanto mais alto/baixo o preço maior/menor a capacidade de Angola pagar os seus compromissos e melhor/pior a nota do país. Mas por mais caro que esteja o petróleo, Angola dificilmente sairá do “lixo” porque as agências sabem que o petróleo é imprevisível e que Angola depende excessivamente do petróleo no que toca à angariação de divisas, por exemplo. (expansao)

Por: Carlos Rosado de Carvalho

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA