Polémica na Áustria após anúncio de demolição da casa de Hitler

A casa natal de Adolf Hitler no norte da Áustria será demolida para a construção de um novo prédio, colocando fim a anos de batalha judicial (Afp)

O Ministério do Interior da Áustria gerou polémica ao anunciar que a casa onde Adolf Hitler nasceu vai ser demolida, uma decisão questionada por vários especialistas nesta terça-feira.

Depois de uma longa batalha legal com a actual dona do local, o ministro do Interior, Wolfgang Sobotka, disse à imprensa austríaca que a propriedade, situada na cidade de Braunau (norte), seria demolida para impedir que se torne um santuário neonazista.

Sobotka acrescentou que o concreto da casa seria conservado e utilizado para construir um novo edifício destinado a abrigar alguma instância administrativa ou uma organização beneficente.

O ministro disse que a decisão foi tomada levando em conta as recomendações de um comité de especialistas, mas vários dos 13 membros do painel negaram nesta terça-feira que a comissão tenha apoiado a demolição da enorme casa de fachada amarela, onde Hitler nasceu em 20 de Abril de 1889.

“A opção da demolição foi mencionada de maneira explícita na proposta (do governo) e não foi aprovada por nós”, disse Clemens Jabloner, ex-presidente do mais alto tribunal administrativo da Áustria, em um comunicado emitido em conjunto com o historiador Oliver Rathkolb.

O comité defende “uma reforma arquitectónica profunda”, já que demolir a casa “equivaleria a negar o passado nazista da Áustria”, disse a dupla.

A propriedade em ruínas situada no centro histórico de Braunau está vazia desde 2011, quando o governo se envolveu em uma disputa judicial com a actual proprietária, Gerlinde Pommer, cuja família possui a casa há mais de um século.

Em 1972, o governo austríaco assinou um contrato com Pommer e transformou a casa em um centro para pessoas deficientes. Mas o acordo terminou cinco anos atrás, quando a proprietária se negou a autorizar trabalhos indispensáveis de renovação e o lugar foi fechado.

Desde então, o destino da casa é alvo de intensos debates entre especialistas e no interior do governo austríaco. (Afp)

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