PC chinês inicia luta interna pelo poder

PCC define futuro político em reunião anual do Comité Central (Reuters)

Reunião do Comité Central do Partido Comunista marca início de um ano de transição no regime. Governo Xi Jinping enfrenta amplos desafios na política interna, pressionado pelo lento crescimento económico.

O Partido Comunista da China (PCC) iniciou nesta segunda-feira (24/10) uma reunião considerada fundamental para definir o futuro do país, marcando o começo, segundo observadores, do que deve ser um ano de transição do regime: em 2017, a legenda vai trocar suas principais lideranças.

O presidente Xi Jinping, cujo governo puniu mais de um milhão de membros do partido por corrupção, busca assegurar que a campanha contra as actividades ilegais está longe do fim e que sua autoridade permanece inabalada.

Cerca de 400 membros do alto escalão do maior partido político do mundo se reúnem a portas fechadas num hotel em Pequim para discutir “as directrizes para a vida política” e as “regras de disciplina interna” do PCC, segundo informações da agência estatal de notícias Xinhua.

A reunião anual do Comité Central do Partido Comunista visa também as preparações para o 19º Congresso Nacional da agremiação, no próximo ano, que deverá dar início ao segundo mandato de cinco anos de Xi Jinping como líder do partido governista. Na ocasião, deverão ser implantadas mudanças na composição dos principais órgãos do PCC: o Comité Permanente, com sete membros, o Politiburo, com 25, além do próprio Comité Central.

Especialistas observam que por trás da retórica utilizada pela imprensa chinesa está uma disputa interna pelo domínio político da segunda maior economia do mundo.

Após quatro anos no poder, Xi Jinping é considerado o líder mais forte da China desde os anos 1980, quando o país era governado por Deng Xiaoping. Ele já acumula mais poder do que todos os seus antecessores, desde o fim do regime de Mao Tsé-Tung.

O governo, porém, enfrenta amplos desafios na política interna, com o lento crescimento económico e as demissões em massa resultantes do fechamento de minas de carvão e aço e outras indústrias pesadas, numa tentativa de reduzir o excesso de capacidade industrial.

O Estado ainda tem papel preponderante no controle da economia, enquanto aumentam as dívidas e as disparidades económicas no país.

Efeito contrário ao pretendido

A campanha anti-corrupção lançada pelo governo é considerada a mais profunda e persistente da história da China comunista, segundo dados anunciados neste fim de semana pelo órgão de Disciplina e Inspecção do PCC.

Os casos que chamaram mais atenção foram as prisões do antigo chefe de Segurança Zhou Yongkang e do ex-director do Comité Central do PCC Ling Jihua, assessor do ex-presidente Hu Jintao.

Mas, segundo o portal de notícias Qiu Shi (“Procura pela verdade”), fundado por uma organização do PCC na província de Jiangxi, no sul do país, a campanha anti-corrupção que visa restabelecer a credibilidade do partido governista poderá ter efeito contrário ao pretendido.

Ao punir cerca de um milhão de membros do PCC, a campanha “expôs a profundidade e a seriedade da corrupção dentro do partido”, além de enfraquecer os “alicerces da governabilidade e sua capacidade de governar”, afirmou o Qiu Shi em editorial. Não está claro como o presidente deverá lidar com os resultados inesperados da campanha.

Xi Jinping não se pronunciou publicamente sobre o que espera da reunião, mas num discurso realizado na sexta-feira durante um evento ele afirmou que o país se aproxima do objectivo de se tornar uma nação moderna com uma sociedade próspera.

“Estamos mais próximos agora do que em qualquer período da história de atingir o grande objectivo de rejuvenescer a nação chinesa”, disse. “Temos maior confiança e capacidade do que em qualquer outro período histórico para chegar a esse objectivo.” (DW)

RC/efe/lusa/ap

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