Opinião: Adeus, paz!

Astrid Prange é jornalista da DW (DW)

Inacreditável, mas verdade: a maioria vota contra o acordo de paz com as Farc na Colômbia. Uma decisão trágica, não haverá outra chance para a paz, opina Astrid Prange.

Há uma semana o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e os combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinavam o acordo de paz, na presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Durante quatro anos o acordo foi negociado, o documento de 297 páginas estipulava, nos mínimos detalhes, o caminho para a paz.

E agora? O presidente Santos irá renunciar? A guerrilha pegará em armas novamente? Ou os guerrilheiros vão se juntar aos cartéis do narcotráfico? A guerra continuará sem fim? Ou as negociações recomeçarão?

Tragédia sem anúncio

Está claro: depois da votação, o actual acordo de paz não tem mais validade. O resultado é uma derrota dolorosa para todos que desejavam a paz. É um tapa na cara das vítimas que agora estavam dispostas a perdoar. É uma desilusão para os rebeldes das Farc que estavam dispostos a entregar as armas.

O não para o acordo de paz é uma tragédia. Novamente a vingança é maior do que o perdão, o ódio maior do que a reconciliação e a guerra maior do que a paz. O mundo inteiro esperava por um sinal de que a violência e a destruição poderiam ser superadas e de que valia a pena lutar pela paz.

A paz na Colômbia estava ao alcance das mãos: as Farc aceitaram entregar as armas ao seu maior inimigo, o Exército colombiano. Eles se resignaram sem ter alcançado o seu objectivo político e desistiram da revolução comunista. Eles se comprometeram a ajudar no esclarecimento de crimes de guerra e pediram perdão às vítimas.

Vingança contra os rebeldes

Mas para os opositores do acordo de paz, próximos ao ex-presidente Alvaro Uribe, isso não é suficiente. Eles querem os rebeldes das Farc na prisão. Para eles, a ideia de sentar ao lado de guerrilheiros no Parlamento parece um desaforo. Para eles, é inaceitável a regra de que a pena de prisão só é aplicável para rebeldes que não admitirem seus crimes ou o fizerem muito tarde.

Mas inaceitáveis são, na verdade, suas afirmações. Não, a Colômbia não está ser entregue as Farc, caso o acordo fosse aprovado. Não, a Colômbia não sucumbirá ao comunismo ou socialismo e nem todos os latifúndios serão desapropriados. Não, nem todos os guerrilheiros das Farc vão aproveitar a vida sem serem punidos, enquanto as vítimas “saem sem nada”.

Inaceitável é também o fato de que a maioria dos eleitores colombianos caiu nesse alarmismo. O dia 2 de Outubro entrará para a história da Colômbia como o mais triste. Apesar da tentativa de Santos e das Farc em limitar os danos, a guerra continua. Ela produz mortes e devora seus opositores. (DW)

por Astrid Prange

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