Nigéria: Libertação de mais 83 raparigas em negociação

(AP)

O Presidente Muhammadu Buhari enche o país de esperança com o anúncio de negociações sobre a libertação. 21 raparigas já estão livres do Boko Haram, mas correm o risco de serem discriminadas nas suas comunidades.

O anúncio de negociações sobre a libertação de mais 83 raparigas raptadas pelo grupo radical islâmico Boko Haram surgiu depois da libertação do primeiro grupo de 21 meninas, num acordo intermediado pela Cruz Vermelha e pelo Governo suiço.

Mais de 220 raparigas foram raptadas de uma escola na aldeia cristã de Chibok, no nordeste da Nigéria, predominantemente muçulmano, em 2014. Mas, no domingo, depois de dois anos e meio de desespero, muitos familiares foram a Abuja reencontrar as suas meninas.

Também Lawal Emos e a sua mulher foram abraçar a sua filha, Comfort. “Ela sente-se melhor agora e está contente que o calvário tenha terminado. Ela disse-me que está grata a deus e ao Governo. E continua a rezar pelas outras raparigas que continuam em cativeiro. Mesmo assim, ela quer regressar à escola”, conta o pai.

Esse é também o desejo da comunidade. “Apelamos ao Governo federal que cuide da saúde das raparigas. E, depois disso, que se responsabilize pela educação, que os militantes interromperam por dois anos e seis meses. Queremos que continuem a sua educação”, afirma Yakubu Nkeki, presidente da organização Pais das Raparigas Raptadas de Chibok. “O nosso orgulho na região de Chibok é a educação”, acrescenta.

Que futuro para as meninas de Chibok?

Várias organizações já apelaram ao apoio urgente na reintegração das raparigas, que correm o risco de sofrerem abusos e serem rejeitadas pelas suas comunidades.

Algumas das raparigas que conseguiram escapar depois de apenas algumas horas de cativeiro são ainda hoje chamadas de “mulheres do Boko Haram”. Cerca de 20 conseguiram ir estudar para os Estados Unidos.

Devido ao elevado risco de discriminação, o presidente da Associação para o Desenvolvimento de Chibok defende que as raparigas agoram libertadas continuar os seus estudos no estrangeiro.

O Governo ainda não se procunciou sobre o futuro destas raparigas. Aisha Alhassan, ministra de Assuntos da Mulher, diz que “ainda se está a planear” o futuro das meninas libertadas.

“A nossa principal preocupação é que elas fiquem bem. Estamos a avaliar a sua condição médica e psicológica. Mas elas estão bem”, sublinha a ministra nigeriana.

Ao mesmo tempo que se negoceia a libertação de mais raparigas em cativeiro teme-se que algumas tenham sido radicalizadas pelo Boko Haram. (DW)

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