Mito Gaspar defende maior aposta do sector privado nos segmentos culturais

Mito GasparFoto: Francisc (Muxibo/Nelson Costa)

O músico e compositor Mito Gaspar, vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Arte na categoria de música, defendeu uma maior aposta do sector privado nos segmentos culturais, com destaque para a música, dança, literatura, pintura e teatro, por constituírem verdadeiros pilares que sustentam a unidade e coesão nacional.

Falando a propósito da conquista do prémio nacional de cultura e artes, o músico disse que tal medida servirá igualmente de indicativo para a valorização da cultura angolana e dos artistas, que actualmente enfrentam muitas dificuldades, não obstante a evolução e maturação artística que os mesmos demonstram.

“Lamento o facto de facilmente os nossos empresários apostarem em farmácia, quitandas ou lojas do que em centros culturais, sala de exposição ou outros espaços de criação e divulgação da cultura, o que representa uma apatia declarada do empresariado”, disse.

Mito Gaspar frisou que tal realidade deve mudar com vista a defesa dos traços identitários angolano, assim como para a perpetuação do legado cultural às próximas gerações.

De acordo com Mito Gaspar, o governo, ao seu nível, tem feito um grande trabalho neste domínio, mas, ainda assim, deve haver o envolvimento do sector privado nesta tarefa com vista ao apoio aos fazedores de cultura.

Quanto a atribuição do Prémio Nacional de Cultura e Arte na categoria de música, o artista considerou como sendo um reconhecimento do seu percurso artístico, tendo por isso recebido com grande júbilo, pois se trata de um galardão que enobrece e engrandece a cultura nacional.

Para si, o Prémio Nacional de Cultura e Arte demonstra o engajamento do governo angolano no que toca a promoção da cultura e dos factores de referência identitária.

O artista apontou a constante investigação do manancial cultural angolano, sobretudo a simbiose entre a língua e a literatura, enquanto elementos dinâmicos e reutilizáveis musicalmente, como segredo para construção de uma carreira coesa e de mérito.

“Tal interesse fez-me transportar para a música poemas de Agostinho Neto, nomeadamente havemos de voltar, renúncia impossível e outras que ainda não estão gravadas”, rematou.

Mito Gaspar nasceu a 05 de Outubro de 1957, no município de Cacuso, província de Malanje.

No ano de 1978, após a conclusão do ensino médio (5º ano do liceu), imigra para a província da Huíla e chefia o Departamento de Cultura, Recreação e Desportos (DCRD) da JMPLA, iniciando uma carreira activa no ramo artístico-cultural. Nesta época forma o Trio Henda, que viria a conquistar lugares cimeiros em festivais nacionais, tais como Festival Juvenil da Canção, Festival de Música Popular Variante e Festival Nacional de Cultura (FENACULT).

Mercê do seu invulgar estilo musical, enraizado na identidade cultural angolana, Mito Gaspar é detentor de vários diplomas de mérito e reconhecimento, menções honrosas e outras distinções que o qualificam entre os maiores pilares da ancestralidade cultural, com uma discografia estruturada, versátil e eclética.

“Man Polê”(1980) – Luanda, “ Mitos &Tradições”(1986) – Paris, “Phambu ya Njila”(2004) – África do Sul fazem parte do conjunto da discografia do artista.

Mito Gaspar também passou pela actividade Jornalística, isto na Emissora Provincial da Huíla da Rádio Nacional de Angola(RNA), onde assumiu as funções de Chefe de Departamento de Informação e de Programas, durante mais de 9 anos. Aí repartiu-se em seminários de formação e estágios nos Estúdios Centrais da RNA. Frequentou e concluído o 2º ano da Faculdade de Ciências da Educação (ISCED) ainda no Lubango(Huíla).

Com o eclodir da guerra, em 1992, instala-se em Luanda e participa de um concurso, junto das Nações Unidas, sendo assim indigitado para as funções de Chefe Logístico do PAM (Programa Alimentar Mundial) nas Províncias de Malanje, Bié, Kuando Kubango e Kwanza Sul.

Terminado o vínculo contratual com o PAM, regressa as lides culturais, no Ministério da Cultura, desempenhando vários cargos de chefia, entre eles Chefe de Departamento de Acção Cultural (Delegação Provincial de Luanda), Chefe de Departamento de Artes e Massificação Cultural (Direcção Nacional de Acção Cultural), Director Artístico (em comissão de serviço) nas Expo’s de Portugal, Espanha (Sevilla), Japão e Coreia do Norte(Piyong Yang).

Inúmeras participações em projectos sociais, de caridade e de intervenção socio-político e cultural, no país e no exterior, viriam a solidificar o crescimento e maturidade na esfera artística, cultural e profissional de Mito Gaspar.

Finalmente, em 2005, regressa à Malanje com a pretensão de contribuir para o surgimento de um turismo ecológico e no renascimento de uma cultura étnica da região, contudo, sem lograr sucessos satisfatórios.

Actualmente, Mito Gaspar é o director provincial da Cultura de Malanje. (Angop)

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