Merkel é hostilizada no leste da Alemanha

Merkel e outros políticos durante a cerimónia ecuménica na igreja em Dresden (Getty Images)

Durante celebrações do Dia da Unidade Alemã, chanceler federal ouve gritos de “traidora do povo” em Dresden, berço do movimento Pegida. Em resposta, ela pede respeito e diálogo político.

A chanceler federal Angela Merkel foi hostilizada nesta segunda-feira (03/10) por centenas de manifestantes em Dresden, no leste da Alemanha, durante uma cerimônia em celebração pelo 26º aniversário da Reunificação.

Uma das cidades da antiga Alemanha Oriental onde protestos pacíficos levaram à queda do Muro de Berlim em 1989, Dresden é hoje reduto do Pegida, movimento populista de direita, de viés xenófobo, que protesta semanalmente contra a política migratória de Merkel.

Das centenas de manifestantes presentes nesta segunda-feira diante da Frauenkirche – igreja símbolo da cidade, reconstruída com grande engajamento por parte dos cidadãos –, a maioria era apoiantes do Pegida, sigla em alemão para “Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente”.

Merkel foi vaiada e xingada durante sua chegada e saída. Acompanhada do presidente Joachim Gauck e do ministro do Interior Thomas de Maizière, ela ouviu gritos de “traidora do povo” e “vá embora”. Ao final do ato ecuménico, ela pediu respeito.

“Pessoalmente, eu gostaria que nós resolvêssemos esses problemas juntos, em respeito mútuo, aceitando as diferentes opiniões políticas”, afirmou Merkel. “Eu sei que muitos outros fazem isso, e a esses eu gostaria, neste dia, de agradecer em especial.”

Mais de 2 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança em Dresden. Em torno da ampla área de festas, no centro da cidade, foram postados grandes blocos de concreto, a fim de impedir eventuais ataques com veículos – como o ocorrido em Nice, na França.

O momento é de especial tensão em Dresden. Na semana passada, duas bombas caseiras explodiram na cidade – uma em uma mesquita, e outra em um centro de conferência internacional. Ninguém ficou ferido, mas os ataques foram tratados como xenófobos pelas autoridades.

Dresden é o berço do Pegida. Suas manifestações semanais, geralmente às segundas-feiras, chegaram a atrair cerca de 20 mil pessoas no auge de sua popularidade, no início de 2015, ápice também da actual crise migratória.

A entrada de mais de um milhão de refugiados na Alemanha no ano passado inflamou as tensões sociais, especialmente no leste do país, onde está Dresden. Com discurso anti-imigração, populistas de direita vêm impondo neste ano duros reveses ao partido de Merkel em eleições estaduais.

Por isso foi tratada como ousada a escolha de Dresden para a celebração do 3 de Outubro, data em que, em 1990, a República Democrática Alemã (RDA) oficialmente aderiu à República Federal da Alemanha (RFA) – formalizando a Reunificação.

Quando o Muro de Berlim caiu, a primeira opção para o feriado nacional era o 9 de Novembro de 1989 – só que ele coincide com a Noite dos Cristais de 1938, quando os nazistas cometeram actos de violência contra sinagogas, lojas e casas de judeus. Por isso a opção pelo 3 de Outubro. (DW)

RPR/ots

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