Líderes chegam a acordo sobre roteiro para paz na Ucrânia

(Reuters)

Após cinco horas reunidos, líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia estabelecem próximos passos para o avanço do processo de paz no leste ucraniano. Porém, conversa com Putin sobre Síria foi difícil, diz Merkel.

Depois de quase cinco horas de reunião, em Berlim, os líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia chegaram nesta quarta-feira (19/10) a um acordo sobre um novo roteiro para o processo de paz no leste ucraniano.

“Não houve milagres, mas concordamos sobre trabalhar num roteiro para avançar as negociações de paz”, ressaltou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, numa colectiva de imprensa ao lado do presidente francês, François Hollande, após o fim da reunião.

Hollande destacou que o roteiro terá como base o acordo de Minsk, firmado em 2015 com a intermediação da Alemanha e França, que contribuiu para amenizar os conflitos entre os separatistas pró-Rússia e as tropas do governo no leste da Ucrânia.

Entre as propostas previstas no novo roteiro para a paz, estão a criação de zonas de desmobilização em ambos os lados e medidas para melhorar a situação humanitária na região.

Segundo o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou à agência de notícias russa Tass, o roteiro prevê ainda uma missão policial que deverá ser enviada para a região de Donbass. Detalhes sobre a operação serão acertados com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que monitoriza o conflito no leste da Ucrânia.

O documento será preparado pelos ministros do Exterior da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, e deverá ficar pronto até o final de Novembro.

Apesar do acordo de Minsk, os combates ainda prosseguem na Ucrânia, minando os esforços para viabilizar uma solução política para o impasse na região. O novo roteiro pode avançar as negociações para uma solução do conflito.

A Rússia, que anexou a península da Crimeia em 2014, apoia a insurgência dos separatistas no leste ucraniano, que já causou quase 10 mil mortes. Moscovo nega, porém, acusações de que teria enviado tropas e armamentos para o país vizinho para reforçar os rebeldes.

Tema delicado

O conflito na Síria também entrou na pauta da primeira visita do presidente russo, Vladimir Putin, à Alemanha desde 2013. Depois que Poroshenko deixou o encontro às 23h15 (horário local), Merkel, Holande e Putin continuaram reunidos por quase duas horas.

Merkel afirmou que a conversa sobre a Síria foi difícil, mas clara. A chanceler federal condenou os bombardeamentos no país e afirmou que os ataques são “acontecimentos bárbaros” para a população.

“O que está acontecendo em Aleppo é um crime de guerra. Uma das nossas primeiras exigências é o fim dos bombardeamentos realizados pelo regime e pela Rússia”, acrescentou Hollande.

Durante as negociações, Putin afirmou que a Rússia está disposta a prorrogar o cessar-fogo humanitário de oito horas em Aleppo, programado para começar às 8h desta quinta-feira. O líder russo propôs ainda acelerar a adopção de uma nova constituição na Síria para facilitar novas eleições.

Merkel e Hollande não descartaram a possibilidade de endurecer as sanções contra Moscovo devido a esses ataques. O tema poderá entrar na agenda da cúpula da União Europeia (UE) marcada para esta quinta-feira em Bruxelas. (DW)

CN/dpa/rtr/afp

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