Girabola2016: Os três momentos de um título

Momentos felizes do derby 1º de Agosto-Asa. (Foto: Gaspar dos Santos/Angop)

A tarde de sábado foi intensa em futebol, mais precisamente os últimos 45 minutos dos jogos em simultâneo da 29ª e penúltima jornada do Girabola2016, tendo o 1º de Agosto se consagrado antecipadamente via rádio.

Os estádios 11 de Novembro (1º de Agosto – ASA) e Coqueiros (Benfica de Luanda – Petro de Luanda) chegaram ao intervalo iguais. Palcos da decisão de título, estes relvados não registaram golos nos primeiros 45 minutos, pelo que tudo indicava que ocorreria o previsível (uma finalíssima).

Dança do golo. (Foto: Gaspar dos Santos)
Dança do golo. (Foto: Gaspar dos Santos)

Este nulo nos dois jogos acabou por ser um primeiro momento da consagração, pois o intervalo fez a diferença: a “prelecção” e a capacidade psicológica ou a leitura táctica e estratégica tratadas nos balneários quer do mais antigo relvado de Luanda, quer do mais recente terão sido determinantes para a prestação na segunda parte.

O segundo momento desta consagração tem duas partes: o 1º golo no 11 de Novembro, muito cedo, que obviamente intranquilizou os Coqueiros e terá aumentado a ansiedade de quem precisava de vencer para se manter “vivo” para o título; a outra parte foi o apito final da confirmação da vitória do 1º de Agosto, enquanto o Petro de Luanda ainda se debatia de forma quase angustiante pelo golo, provavelmente mais importante da sua época.

Bailando  Kizomba. (Foto: Gaspar dos Santos)
Bailando Kizomba.
(Foto: Gaspar dos Santos)

Neste período, em sofrimento também estiveram decerto os rubro-negros que “forçaram” um prolongamento do seu jogo, apesar da vantagem de 3-0 após o tempo regulamentar e mesmo sem constar no regulamento do Girabola.

A verdade é que após o triunfo sobre o Asa, jogadores, técnicos e staff do 1º de Agosto, enquanto decorria a ponta final do Benfica-Petro (0-0), mantiveram-se em campo, já sem árbitros; trocaram a bola por um rádio receptor, enquanto nas bancadas a onda vermelha e preta expectante “em pulgas” seguia pela mesma via o desfecho. Justificada apreensão porquanto o Petro ja habituou os seus adeptos a marcr golos decisivos no “Cerrar das cortinas”.

Quando o “apito final” soou pelas ondas hertzianas do canal desportivo da Rádio Nacional de Angola (Radio5), a festa rubro-negras comprovou que se tratava daquele que será o título mais apetecido. Quer pela longa espera de nove anos, quer pela forma como foi conquistado, porque o menos previsível era que ocorresse de forma antecipada.

A festa iniciou no relvado e nas bancadas, com emoções quase indiscritíveis da equipa com o maior número de adeptos no país. Preces de agradecimento ao Altíssimo, lágrimas de alegria, cânticos e danças, a praxe do guindar do técnico “aos céus” coreografaram um título esperado desde 2007.

A celebração continuou à saída do relvado na pista e túnel, com declarações emocionadas, algumas ininteligíveis, à media. Depois, no balneário, segundo reporta um vídeo publicado pela MagazineClaqueTV, o presidente do clube foi também “guindado” e transportado ao colo pelos jogadores num ambiente ruidoso e de pura euforia.

Do lado de fora, o deslumbramento dos adeptos militares foi a ponto de tentarem barrar sem sucesso a marcha do autocarro da equipa quando saía do estádio, para comemorarem com os jogadores. Eufóricos, com cânticos, bandeiras, dísticos e gritando o nome dos seus “heróis”, colocaram-se à saída da porta da maratona e na via de saída do perímetro do estádio. Pelas janelas do imponente rubro-negro braços e rostos respondiam ao carinho, porém a máquina seguiu a sua marcha.

(Foto: Gaspar dos Santos)
(Foto: Gaspar dos Santos)

De resto, a notícia “D’Agosto é campeão” explodiu imediatamente nas redes sociais. Adeptos rubro-negros exteriorizaram das maneiras mais peculiares a alegria, não deixando de “picar” o eterno adversário, que se mostrou competente, na segunda volta, com números alucinantes.

Porém, este sábado faltou algo ao Petro que vinha de nove triunfos consecutivos. O ideal seria “blindar” a equipa do andamento do estádio 11 de Novembro. Aí o rendimento talvez fosse outro. Mas a questão que se põe é: seria possível evitar a disseminação daquele que era o assunto do momento no país?  (ANGOP)

DEIXE UMA RESPOSTA