Girabola2016: 1º de Agosto cumpre segundo “período sabático”

1º de Agosto (Foto: Gaspar Santos)

Ao sagrar-se este sábado campeão nacional de 2016, o 1º de Agosto interrompeu o segundo ciclo simétrico de nove épocas sem “colheita” no Girabola.

Um dos dois únicos clubes (o outro é o ASA) participantes no Girabola desde a sua criação, em 1979, a formação militar não vencia esta competição desde 2006.

Nos primeiros anos da prova ocorreu período exactamente igual: depois de vencer a edição de 1981, só voltou a erguer a taça em 1991.

Este é o período mais longo em que o primeiro campeão do Girabola e o também o primeiro tri-campeão nacional (1979, 1980, 1981) ficou sem conquistar o campeonato.

O percurso para voltar ao título iniciou em 2007 com um segundo lugar, com 54 pontos, a um do Interclube, que conquistava o primeiro dos dois títulos que ostenta.

Na época seguinte, voltou a repetir-se a posição, mas desta feita superado pelo Petro de Luanda, que chegava ao seu 14º trofeu com 58 pontos, enquanto o 1º de Agosto não ia além de 49 como vice-campeão.

Em 2009, o Petro de Luanda, o maior vencedor do Girabola com 15 títulos, arrebatava a sua última taça, num ano em que os militares ficaram a 19 pontos do topo, ocupando o quarto lugar.

Subiu ao terceiro lugar no ano em que Angola albergou o CAN2010 e o Girabola passou a ter 16 equipas. No entanto, ficou a quatro pontos do campeão, Interlcube (55 pts).

A “era Libolo” iniciou da pior forma para os rubro-negros, já que teve a pior classificação ocupando a sexta posição com 45 pontos, menos 12 que o Recreativo do Libolo, que arrebatava o primeiro de quatro títulos em cinco épocas.

Refeito do “desequilíbrio”, o 1º de Agosto foi vice-campeão em 2012, mas ficou com 58 pontos, longe do consagrado bi-campeão Libolo, que totalizou 67 pontos.

Em 2013, voltou a ser vice-campeão, mas bateu um recorde negativo ao ter no final 15 pontos a menos que o vencedor da prova, o Kabuscorp, que se estreava como campeão.

No ano seguinte, o clube central das forças armadas piorou a classificação, para quarto a 17 pontos do Recreativo do Libolo que destronou a formação do Palanca.

A equipa do Cuanza Sul somou o quarto título em 2015, mas aí o 1º de Agosto deu sério “aviso à navegação” ao levar a decisão até ao último jogo. Inclusive, o campeão teve de ser encontrado no sistema de desempate (vantagem do Libolo nos resultados entre si), já que ambas formações terminaram com 60 pontos.

Na altura, os militares tinham feito a melhor segunda volta de todos – tal como ocorreu esta época com o Petro de Luanda. Para confirmar que não se tratou de obra do acaso, o 1º de Agosto entrou para o Girabola2016 praticamente como terminou o anterior e não deu chances à concorrência.

Na 1ª jornada venceu o Benfica de Luanda por claros 2-0 no entanto foi remetido para o quarto lugar, porque noutros jogos ocorreram vitórias com mais golos. Mas esta foi a única vez neste Girabola em que os militares não ocuparam o topo da tabela.

A partir da segunda jornada, assumiu a liderança com tal competência e consistência que nem as três derrotas e seis empates consentidos, nem a pressão petrolífera na segunda volta lhe retiraram do topo da classificação nas 28 jornadas seguintes.

A vitória de 3-0 sobre o ASA, a outra equipa que cumpriu todas as 38 edições da principal prova futebolística nacional, tornou os rubro-negros campeões antecipados.

Foi o fim do segundo “período sabático” simétrico, que causava “agonia” aos adeptos e sócios do mais popular clube do país, que chegou à décima conquista, mas está a cinco títulos do Petro de Luanda.

O Girabola iniciou com três vitórias consecutivas do 1º de Agosto (1979, 1980, 1981). Depois teve um interregno de nove anos, em que viu o 1º de Maio de Benguela triunfar duas vezes e o Petro por sete anos, cinco dos quais consecutivamente.

O trofeu voltou ao Rio Seco em 1991 e permaneceu lá na época seguinte. Seguiu-se um período em que o 1º de Agosto teve intervalos mais curtos de “espera”: depois de 1992 venceu em 1996 e o bi-campeonato em 1998 e 1999 antes do histórico 2006.

Se a história se repetisse, dir-se-ia que a formação militar venceria a próxima edição do Girabola – foi assim que aconteceu após regresso ao título em 1991. (Angop)

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