Furacão Matthew em Miami: “Não havia pão e a cidade ficou deserta”

(DR)

“Os ventos e a chuva forte fazem muita impressão. Derrubaram árvores e as estradas ficaram cheias de ramos caídos”. Lili Ana é uma portuguesa residente em Little Haiti, um bairro no sudeste de Miami, a cerca de 6,5 km da costa atlântica, numa zona poupada à passagem dos ventos mais fortes do mortífero furacão “Matthew.”

De categoria 4, este é o mais forte furacão a atravessar as Caraíbas desde o “Felix”, em 2007. Arrasou terça-feira a península Tiburone, no extremo sudoeste do Haiti, passou pela Jamaica e por cuba, e atingiu também com força na quinta-feira as Bahamas. À noite começou a assolar a costa dos Estados Unidos, na Florida.

Um pequeno desvio de rota permitiu poupar o sul de Miami, mas pelas 20 horas locais (01h já da madrugada desta sexta-feira, em Lisboa) estava a pouco mais de 75 milhas (120 km) ao largo de West Palm Beach e a dirigir-se para a costa a cerca de 20 km/hora.

Em terra firme, Lili Ana viu o vento derrubar árvores à porta de casa. Alertada para um possível agravamento da situação, procurou precaver-se com mantimentos. “Fui a várias lojas, mas já não havia pão e as prateleiras estavam vazias em muitas”, contou-nos, via Facebook.

“Na zona onde moro, só faltou a luz da rua durante um quarto de hora, mas em North Miami — mais ou menos, a 10 km de onde vivo — estiveram sem luz desde a uma da tarde. Miami ficou deserta, sem carros nem pessoas. Muitas lojas fecharam e há quem só vá trabalhar segunda-feira”, revela-nos esta portuguesa residente na Florida, acrescentando que à hora em que se esperava o pior mais a norte, na sua zona j’a estaria tudo mais calmo.

No condado de Miami-Dade e no Broward, as autoridades recomendaram aos residentes para permanecerem em locais seguros. “Para quem quisesse, foram disponibilizados abrigos. A única condição de acesso é as pessoas estarem munidas de um documento de identificação. Os turistas também os podem usar”, acrescenta Lili Ana.

De West Palm Beach até Jacksonville, há previsão de que algumas localidades costeiras poderão ficar submersas devido à subida do mar provocada pelo Matthew. Milhares de pessoas foram evacuadas, mas outras resistem.

A “maior preocupação” do governador da Florida são as pessoas que “não estão a levar a sério os avisos”. “Eu não quero que haja mortos”, sublinhou Rick Scott.

O Presidente Barack Obama declarou estado federal de emergência na Florida e até os parques de diversões da Walt Disney, em Orlando, foram fechados por motivos de segurança, o que já não acontecia há cerca de 11 anos.

Mais de 280 mortos no Haiti
No Haiti, uma das primeiras ilhas a ser atingida pelo Matthew nas Caraíbas, o balanço de mortos já chegou aos 283 e deverá agravar-se mais à medida que a as equipas de socorro vão conseguindo avançar para as zonas mais afetadas.

A maior parte das fatalidades foram registadas na península de Tiburon, no extremo sudoeste da ilha, onde 80 por cento das casas foram destruídas pelos ventos a mais de 200 km/ hora.

A localidade de Les Anglais foi uma das primeiras a ser atingida terça-feira. Um residente, Julio Desire, desespera. Diz ter perdido tudo o que tinha. “Podíamos ver a destruição a acontecer. Pedimos ajuda, mas ela não chegou”, lamentava este haitiano.

A União Europeia já anunciou um fundo de ajuda inicial ao Haiti de mais de 250 mil euros. (Euronews)

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