Emissões de metano, gás do efeito estufa, são muito maiores do que se pensava

Plataforma de extração de metano no lago Kivu, em Gisenyi, Ruanda (Afp)

As emissões globais de metano, potente gás do efeito estufa, podem ser o dobro das estimativas actuais, colocando um desafio adicional na luta contra as mudanças climáticas – disseram pesquisadores nesta quarta-feira (5).

O novo estudo está baseado em uma base de dados 100 vezes maior do que as analisadas anteriormente e utiliza uma metodologia que evita suposições discutíveis relativas a modelos anteriores.

Dentro do cálculo, a emissão de metano durante a produção e a utilização de gás natural, de petróleo e de carvão é de 20% a 60% maior do que se pensava, segundo um estudo publicado na revista científica Nature.

“Os inventários de emissões e os estudos atmosféricos subestimaram as emissões de metano a partir dos combustíveis fósseis”, disse à AFP o autor principal do estudo, Stefan Schwietzke, cientista do National Oceanic and Atmospheric Administration dos Estados Unidos.

As emissões da indústria e de fontes geológicas naturais combinadas “são de 60% a 110% maiores do que as estimativas actuais”, disse ele.

As novas descobertas podem ter sérias implicações para os esforços globais para limitar o aquecimento global “bem abaixo” de 2ºC, como prevê o Acordo de Paris sobre o Clima, que entrará em vigor no próximo mês, dizem os especialistas.

“Cenários de emissões actualmente utilizados para a previsão do clima precisam ser reavaliados, levando-se em conta os valores revisados para as emissões de metano geradas pelos humanos”, disse o professor Grant Allen, da Universidade de Manchester, ao comentar o estudo.

Em outras palavras, atingir a meta de temperatura promovida pela ONU pode ser ainda mais difícil do que se pensava.

Embora não seja tão abundante, ou de longa duração como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) é 28 vezes mais eficiente na retenção de calor na atmosfera da Terra em um período de tempo de 100 anos.

É o segundo maior contribuinte para o aquecimento global depois do CO2, o que representa cerca de um quinto do aumento da temperatura acumulado desde o início da Revolução Industrial na metade do século 18.

Especialistas discordam sobre o porquê, mas os combustíveis fósseis não são, aparentemente, os maiores culpados pelo aumento acentuado dos níveis de metano na atmosfera nos últimos anos, segundo o estudo.

“As emissões de metano a partir do desenvolvimento de combustíveis fósseis foram dramaticamente subestimadas”, disse Schwietzke à AFP.

“Mas eles não são responsáveis pelo aumento no total das emissões de metano observadas desde 2007”, completou. (Afp)

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