Em Angola, há uma estrada que “produz” diamantes

(Foto: D.R.)

Nos aterros da Lunda Norte, nas estradas de acesso à mina do Lulo, há entulho e inerte que não é apenas isso. O que parecia serem simples depósitos de pedras enormes encerra, afinal, grandes tesouros. Muita dessa brita contém diamantes de qualidade excepcional e de tamanho especial.

Há uma estrada em Angola que está repleta de diamantes. Em Fevereiro deste ano, foi encontrado um diamante de 404 quilates (na foto) e há poucos dias mais um de 104 quilates. Estas pedras preciosas, se tiverem mais de 10,8 quilates, são conhecidas como diamantes especiais. Só em seis meses foram encontrados, nesta zona da Lunda Norte, mais de 100 especiais – o último dos quais há alguns dias, com 172 quilates.

Miles Kennedy, “chairman” da companhia Australiana Lucapa Diamond Company – que é sócia maioritária da mina do Lulo, na Lunda Norte, em parceria com as angolanas Endiama e Rosa & Pétalas – explicou recentemente ao The Australian que a dimensão, forma e rudeza das grandes gemas encontradas nos últimos meses na Lunda Norte sugerem que estes diamantes não estarão muito longe do seu filão de origem.

“Tudo aponta para que, em cada esquina que viremos, vamos conseguir grandes recuperações [das pedras preciosas]”, comentou Kennedy, citado pela ABC.

Mas vamos por partes. Nesta região de Angola, as estradas construídas em redor do projecto da mina do Lulo estão a revelar-se muito valiosas, devido à descoberta de “gemas monstras”. O diamante encontrado em Fevereiro tinha 404 quilates – o maior alguma vez prospeccionado em Angola – e a empresa suíça de joalharia de luxo De Grisogono, cujo capital é maioritariamente detido por Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo, vendeu-o por 20 milhões de dólares.

E foi por um feliz acaso que este diamante foi descoberto. É que a maquinaria que a Lucapa utiliza nas suas operações de prospecção mineira só detecta diamantes até uma dimensão máxima de 280 quilates. Mas acontece que o referido diamante tinha uma forma alongada (parecia um polegar gordinho) e estava na horizontal. Foi uma feliz casualidade. Bastaria estar na vertical e já não teria sido identificado no ecrã de triagem – o seu destino seria a ida directa para a pilha de inertes que são depois usados na construção de outras estradas.

Esta descoberta entusiasmou a empresa – e Kennedy, que é um apaixonado por diamantes, está sempre à espera do próximo grande achado. Desde que esta gema de 404 quilates foi descoberta, a Lucapa deixou de enviar inertes para novas estradas e tem estado a empilhar as gigantescas rochas enquanto se prepara para instalar [já no próximo mês] uma nova máquina de triagem capaz de detectar um diamante com um peso até 1.000 quilates, refere o The Australian.

Além do tamanho destas pedras preciosas, a sua qualidade é também considerada de excelência, pelo que o mercado internacional já paga por cada quilate saído desta mina 20 vezes mais do que a média mundial. A exploração, para as empresas envolvidas, está a ser extremamente rentável: “os nossos custos ascendem a 1,3 milhões de dólares por mês, mas estamos a gerar entre 5 e 12 milhões mensais, por isso é espectacular”, comentou Kennedy ao mesmo jornal.

Essa máquina irá escrutinar todos os inertes e entulho utilizados na construção das estradas de acesso à mina. A Lucapa está convicta de que “nos aterros e inertes usados para construir essas estradas de acesso estão alguns dos maiores diamantes do mundo”, sublinha, por seu lado, o Novo Jornal.

Kennedy já tem um nome para elas. Com um sorriso, numa entrevista ao The Australian, chama-lhes “Diamond Highways” – as estradas dos diamantes. (jornaldenegocios) 

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