Economistas pededm transparência nos negócios com a China

Cui Aimin - Embaixador da China em Angola (Foto: Clemente Santos)

O Governo angolano anunciou a realização de um fórum de investimento entre Angola e a China em Luanda ainda este ano.

O Presidente da República criou uma equipa de nove ministros, sob orientação, ministro e chefe da Casa Civil da Presidência Manuel da Cruz Neto, para preparar o encontro no qual, de acordo com a embaixada da China em Luanda , terá a participação de dezenas de empresas chinesas.

Entretanto, empresários, políticos e analistas dizem que o propósito é bom mas exigem transparência nas negociações.

”Ninguém sabe quanto é que na realidade Angola deve à China até agora os investimentos são bons, mas sem transparência é preocupante, sobretudo os mais novos não têm noção que país vão herdar no futuro com estas incertezas, prédios e obras feitas sem qualquer qualidade, fiscalização inexistente”, diz Raúl Danda, vice-presidente da UNITA e professor de economia, que revela muita preocupação com esses negócios.

Sapalo António, outro professor universitário e antigo parlamentar pelo PRS, diz desconfiar que o motivo para a realização desta cimeira seja mais político que económico.

”A razão fundamental para realização deste fórum é mais político que económico atendendo o aproximar das eleições em Angola”, reiterou, enquanto o também economista e professor universitário Faustino Mumbica considera que, como a falta de transparência tem norteado a relação entre Governo e a China, este fórum não vai trazer nada de novo.

“Será mais um daqueles financiamentos com a mesma finalidade que outros que já aconteceram com a China, as construções levadas a cabo pelas empresas chinesas sem qualquer qualidade poderão trazer grandes problemas no futuro,a China apenas faz passar o dinheiro, mas trazem as suas máquinas, trabalhadores são chineses”, denuncia Munbica, reiterando que “Angola apenas assina que recebeu o dinheiro e o pouco que resta acaba nas mãos dos próprios governantes”.

Por sua vez, José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola e um dos conselheiros da Presidência da Repúblic,a considera boa a intenção do Governo mas pede que as empresas chinesas sejam mais fiscalizadas em Angola.

”Fica a presunção que muitas empresas chinesas em Angola têm pouca qualidade e eficiência, há sempre suspeição sobre a qualidade do serviço prestado pelas empresas da China, mesmo nos projectos agrícolas ficam muitas dúvidas, não basta a boa-vontade do Governo chinês e do interesse do Executivo angolano, nós como cidadãos, empresários e associações olhamos sempre com suspeição sobre o serviço prestado pelas empresas chinesas no país”, disse Severino.

A China é o maior comprador do petróleo de Angola e também o maior financiador com linhas de crédito para obras e serviços em Angola.

A mais recente linha de crédito em 2015 ascendia a 5,2 mil milhões de dólares.

O fórum de investimentos Angola-China não tem ainda data marcada. (Voa)

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