Economia angolana afasta cenário de estagnação em 2016

(Foto: D.R.)

Sectores que mais se ressentiram da desaceleração do crescimento na vertente não petrolífero foram os da agricultura e pescas assim como construção e serviços mercantis apesar das taxas positivas.

O crescimento do sector não petrolífero da economia angolana passou, em 2014, de 8,2 por cento, para 1,3 em 2015, sendo que a previsão para 2016 é de 1,2 por cento Apesar desse cenário, no discurso sobre o Estado da Nação, proferido por ocasião da abertura do Ano Parlamentar, o Presidente José Eduardo dos Santos disse que a economia nacional não está estagnada, mas a registar abrandamento.

De acordo com o Presidente da República,os sectores que mais se ressentiram, embora com taxas de crescimento positivas, foram os da agricultura, pescas, construção e serviços mercantis. Por seu lado, o sector da indústria transformadora foi o mais atingido e registou uma variação negativa de 4,0 por cento.

“O choque sistémico da queda do preço foi muito forte nas receitas públicas. Sublinhe-se que, só em 2015, a redução do preço do petróleo terá provocado uma quebra de quase 6 mil milhões de dólares na receita fiscal. Presentemente, a continuidade do esforço de investimento público só é possível com recurso ao endividamento, interno e externo.

Essa é uma solução que tem os seus limites e obriga a diferentes soluções de financiamento, interno e externo”, disse. Para o Estadista, esta evolução teve inevitáveis impactos a nível monetário e foi nesse contexto que o Executivo, para garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, teve de adoptar uma política de estabilidade e regulação macroeconómica que lhe permitiu aprimorar a condução coordenada da política fiscal, monetária, cambial e de rendimento e preços, acentuando o papel da programação financeira.

Quebra nos preços Outro importante factor realçado pelo Presidente José Eduardo dos Santos foi o de que a quebra brusca do preço do petróleo, a partir do segundo semestre de 2014, gerou um clima de instabilidade e de incerteza nos mercados.

Com ela, a taxa de inflação acumulada anual, que se situava num só dígito, voltou a fixar-se em dois dígitos em 2015. Houve também, segundo disse, que se proceder a um ajuste cambial.

Assim, no mês de Janeiro deste ano, a taxa de câmbio desvalorizou em torno de 15 por cento face ao dólar norte-americano, após um breve curso de estabilidade observado na fase final de 2015.

José Eduardo dos Santos lembrou que desde o início da crise, que têm sido registadas depreciações sucessivas nos mercados primário, secundário e informal do kwanza.

Em consequência das medidas de regulação macroeconómica que se tem adoptado, verifica-se nas últimas semanas uma regressão no mercado informal dos valores especulativos do dólar e do euro, graças à melhor coordenação da política fiscal, monetária, cambial e de rendimento e preços.

Esta aplicação coordenada dos instrumentos de política económica permitiu garantir uma oferta de divisas no mercado cambial primário que sustentou a execução do Orçamento Geral do Estado e, por outro lado, o atendimento à procura da moeda estrangeira em articulação com uma adequada oferta de meios de pagamento em moeda nacional e com a satisfação das necessidades de bens e serviços. (jornaldeeconomia)

Por: Isaque Lourenço

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