Diplomacias da CIRGL preparam cimeira dos Grandes Lagos

Bandeiras dos países dos Grandes Lagos (Foto: Francisco Miúdo)

Angola é, a partir de hoje (24 de Outubro), palco de mais um exercício diplomático para a solução dos últimos acontecimentos na RDC, no Burundi, Sudão do Sul e da RCA, cujos problemas preocupam a região dos Grandes Lagos e o continente africano, no geral.

Deste modo, Luanda alberga, hoje e terça-feira, a reunião de titulares das diplomacias dos países da região, preparando o encontro dos Chefes de Estado, marcado para quarta-feira (26), no âmbito do Mecanismo Regional de Supervisão do Quadro de Paz, Segurança e Cooperação para o Congo Democrático e a região dos Grandes Lagos.

Sobre a RDC, pertencente à CIRGL e à SADC, recaem grandes preocupações, depois da tensão, motivada por confrontos entre forças de segurança e elementos da oposição, exigindo a saída do Presidente Kabila, cujo mandato expira em finais de Dezembro de 2016. Deste clima resultou a morte de mais de 50 cidadãos, na capital Kinshasa, entre 19 e 20 de Setembro.

A situação ficou, entretanto, “suavizada” com a assinatura, em Kinshasa, a 18 de Outubro, de um acordo político entre o Governo, a oposição e a sociedade civil congolesa, para a criação de um novo Executivo de Unidade Nacional, com vista a uma governação consensual.

À luz do memorando de entendimento, o futuro Governo de Unidade Nacional será dirigido por um primeiro-ministro da oposição, tal como informou o chefe da diplomacia angolana, que acabara de testemunhar a assinatura do acordo.

Na ocasião, Georges Chikoti explicou que o acordo estabelece também como deverá decorrer o processo de registo eleitoral até a conclusão das eleições gerais, nomeadamente as presidenciais, legislativas e provinciais, inicialmente marcadas para Abril de 2018, para pôr fim ao Governo de transição.

Para as autoridades angolanas, eleições pacíficas na RDC são vitais para a paz, estabilidade e o desenvolvimento da Região dos Grandes Lagos. (Angola e a República Democrática do Congo partilham uma fronteira terrestre e marítima numa extensão de 2.511 quilómetros quadrados).

Depois de ter cumprido um primeiro mandato (2014-2015), Angola recebeu voto de confiança e foi reconduzida na presidência da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e é vice-presidente da SADC para questão de política, defesa e segurança.

Sob a orientação do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, Luanda albergou, a 14 Junho de 2016, a A 6ª Cimeira de Chefes de Estado e Governo da CIRGL, destacando-se entre os presentes os seus homólogos Joseph Kabila (RDC), Denis Sassou Nguesso (Congo), Yoweri Museveni (Uganda) e Jacob Zuma (África do Sul), este na qualidade de observador.

A CIRGL é constituída por Angola, Burundi, Zâmbia, República Democrática do Congo (RDC), República Centro Africana (RCA), República do Congo, Quénia, Uganda, Rwanda, Sudão do Sul, Sudão e Tanzânia. Foi criada em 1994, após conflitos que se registaram na região.

A SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) existe desde 1992, sucedânea da SADCC (Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral [1980]) e é composta por Angola, RDC, África do Sul, Botswana, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabwe e Ilhas Seicheles. (Angop)

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