Desmond Tutu, uma vida de luta por liberdade e justiça social na África do Sul

Desmond Tutu (DPA)

Desde a morte de Nelson Mandela, há quase três anos, o antigo arcebispo Desmond Tutu é visto como a última voz credível de consciência na África do Sul. Esta sexta-feira (07.10), completa 85 anos.

Ao longo da sua vida, o antigo arcebispo Desmond Tutu defendeu os pobres e oprimidos e combateu pacificamente o regime de segregação racial apartheid.

“Seremos livres! Todos nós! Pretos e brancos, juntos,” gritava, em Abril de 1993, para a multidão de mais de 100 mil pessoas, no funeral de Chris Hani, o líder do braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) e forte opositor ao regime do apartheid que tinha sido assassinado.

A África do Sul assemelhava-se, na época, a um barril de pólvora. Depois de décadas de opressão da população negra, o Presidente Frederik Willem de Klerk anunciou reformas em 1990 e alguns presos políticos, como Nelson Mandela, foram libertados.

Em momentos difíceis da história do país, Desmond Tutu demonstrou coragem para seguir o ideal de uma nação arco-íris e de paz.

Biografia de luta

O arcebispo nasceu em Klerksdorp, a cerca de 200km de Joanesburgo. Foi professor, mas abandonou a profissão quando o Governo decidiu implementar um sistema de ensino para os negros pior do que o da população branca.

Desmond Tutu fez uma carreira teológica. Foi o primeiro bispo anglicano negro de Joanesburgo e depois arcebispo da Cidade do Cabo. Politicamente, simpatizava com o Congresso Nacional Africano. Em 1984, recebeu o Prémio Nobel da Paz pela sua ação não-violenta contra o apartheid. Mas mais importante, para Tutu, foram as primeiras eleições livres e democráticas da África do Sul, em Abril de 1994.

“É fantástico. É um dia incrível para todo o nosso povo. E digo o nosso povo, pretos e brancos. Porque a partir de agora não vamos dizer o regime ilegal, será o nosso Governo,” declarou na época.

Entre 1996 e 1998, Desmond Tutu liderou a Comissão de Reconciliação e Verdade, que abordou os crimes do apartheid. Milhares de vítimas do regime partilharam o seu sofrimento e os culpados pediram perdão. Com a comissão, o arcebispo pretendia alcançar um equilíbrio entre a justiça e a amnistia, o perdão e a reconciliação.

Atento aos desenvolvimentos do país, Desmond Tutu tornou-se também crítico em relação ao ANC.

“Nos primeiros anos da nossa de liberdade, a maior parte da população tendia a votar ANC. Mas agora, já não é exactamente assim. As pessoas tendem a questionar-se o que é bom. É isso que é a democracia,” defendeu.

Com o seu modo alegre, sorridente e despreocupado, Desmond Tutu continua a ser muito querido entre os sul-africanos. Mas agora está mais resguardado. A saúde assim o obrigou. Em 1997, foi-lhe diagnosticado cancro da próstata. Três anos depois, aposentou-se. Diz que quer ter mais tempo para beber chá com a mulher. (DW)

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