Braúlio de Brito: “As empresas do Reino Unido estão interessadas nas infra-estruturas”

(Foto: D.R.)

O estabelecimento de uma relação empresarial forte entre empresários angolanos e do Reino Unido é dos principais objectivos da Câmara de Comércio Angola/Reino Unido. De acordo com Braúlio de Brito, Director Executivo, desde que Câmara foi instituída, em Dezembro de 2015, cinco empresas britânicas estabeleceram já parcerias com o país. Braúlio de Brito sublinha que as parcerias estão focadas fora do mercado petrolífero.

A Câmara de Comércio Angola/ Reino Unido está prestes a completar o seu primeiro aniversário. Desde que foi instituída o que mudou nas relações entre Angola e o Reino Unido?

Quando lançamos a Câmara de Comércio, em Dezembro de 2015, o objectivo de contribuir para o reforço da cooperação económica entre Angola e o Reino Unido. Desde a criação da Câmara, temos estado a desenvolver fóruns por formas a permitir o empresariado angolano tome nota das oportunidades de negócios da Inglaterra para Angola, assim como de Angola para a Inglaterra. Temos estado também a promover acções para que os empresários britânicos possam perceber que oportunidades existem no nosso país. E por razões óbvias temos uma relação muito estreita com a embaixada Britânica em Angola.

Apesar disso, em termos quantitativos eu não diria que já há um elemento mensural em termos de negócios. No entanto, nós contribuímos com muitas missões empresariais da Inglaterra para cá, através da qual empresários dos sectores industriais e comerciais estiveram no país para perceber como está o ambiente de negócios, saber mais sobre as leis de investimento estrangeiro, assim o ambiente político e social. Devo dizer que destas missões, e tenho provas que algumas empresas acabaram por estabelecer negócios através de parcerias.

São muitas? Pode enumerar?

Não são muitas. Devo dizer que desde que tomamos posse, cinco empresas acabaram por se estabelecer em Angola, como resultado da nossa interacção à nível da Câmara. Por outro lado, existem empresas já estabelecidas em Angola, empresas essas que têm ligação com o Reino Unido, sobre as quais temos um papel a jogar. Nós também contribuímos para que essas empresas passem a perceber melhor, com mais profundidade as diferentes mutações em relação a legislação angolana e do próprio ambiente macroeconómico que Angola vai vivendo. E nós, na qualidade de Angolanos, temos essa responsabilidade de fazer perceber melhor aos empresários estrangeiros quais são os objectivos do Executivo. Aliás, devemos estar sempre alinhados com o Executivo naquilo que são os objectivos macroeconómicos, políticos e social do país.

Falou em alinhamento da Câmara com os planos do Executivo. Na relação com os empresários do Reino Unido, quais são as áreas prioritárias que foram definidas?

Angola está num processo de crescimento e desenvolvimento económico, que é fundamental para o futuro e para o bem-estar das suas populações. E nós, enquanto Câmara de Comércio, e até mesmo na qualidade de cidadão angolano, sentimos isso e temos que ter a responsabilidade de contribuir para aquilo que é o alinhamento das estratégias do Governo. Actualmente, e em função do momento macroeconómico global, é necessário que busquemos outras fontes de rendimento, outros investimentos além do petróleo.

Apesar de eu ser uma pessoa ligada a indústria petrolífera, mas o momento exige de nós mais imaginação noutros sectores da economia. Temos de ir em busca de outras oportunidades no sector da agricultura, nas indústrias e noutros serviços, pois são essas que poderão contribuir de forma significante para o crescimento económico do país, criação de emprego, transferência de tecnologia, de informação e do processo de funcionamento para que Angola possa continuar a crescer.

Falou agora de transferência de tecnologia. Os empresários expatriados dizem encontrar dificuldades para o repatriamento de capitais. Acha que os empresários do Reino Unido estarão preparados para entrar no mercado angolano nestas condições? Essas são questões que temos bem presente. Sabemos que efectivamente existem algumas dificuldades no tratamento das divisas, precisamente na exportação das mesmas, mas não vemos essas dificuldades como factor impeditivo para o investimento estrangeiro em Angola, até porque o investimento faz-se num dia o retorno ainda leva algum tempo.

Portanto, ainda temos algum tempo para gerir esta situação. Em todo caso, sabemos que o Executivo está a trabalhar, de forma eficaz, neste processo. Temos muita fé nas medidas que o Executivo está a adoptar para resolver, a curto prazo, o problema da exportação, transferências e pagamentos no exterior. Dizia anteriormente que é papel da Câmara educar os empresários estrangeiros, ajudá-los a compreender a realidade de Angola e todos os mecanismos para o repatriamento de capitais.

A falta de algumas infraestruturas, o ainda fraco fornecimento de energia e água são apontados como elementos que encarecem a produção em Angola. Os empresários do Reino Unido estão preparados para entrar em força no nosso mercado nacional? Essas áreas que acabou de mencionar, a par da agricultura, são as que os empresários Britânicos mostram interesse. Por serem áreas que Angola ainda tem um défice muito grande em termos de prestação de serviço, julgo serem boas áreas para se investir. E temos estado a passar essa menagem para que os empresários Britânicos venham investir.

Com o fantástico nível de excelência que eles possuem podem nos ajudar a melhor. São áreas que temos bem presentes na nossa agenda e vamos continuar a trabalhar para que possamos atrair mais investidores. Devo dizer que desde que criamos a Câmara tem havido muitas manifestações de interesse em investir nas infraestruturas, assim como na energia e águas.

Temos tido também alguma acção directa do Governo Britânico que, recentemente nomeou um representante do Primeiro- ministro para tratar de assuntos ligados a Angola, para de forma contínua interagir com as autoridades angolanas. E isso tem acontecido. Enquanto representante da Câmara, entendo que os nossos países estão a entrar numa fase de aprofundamento da cooperação económica, o que para Angola é muito benéfico, pois para que tenhamos um crescimento económico é preciso nos emparceirarmos com potências do mundo, como é o caso Do Reino Unido.

Em termos de intenções, qual é o número de empresas que quer vir para Angola?

Começo por dizer que a nível da Câmara temos cerca de 37 empresas estabelecidas no país com negócios firmados. Estamos em crescimento, pois o processo é novo. Em termos de projecção, como disse, as áreas com maior enfoque são a agricultura, energia e a indústria. Não lhe vou dar número, mas são essas os sectores para os quais o nosso Governo tem estado a solicitar investimentos de nacionais e de estrangeiros.

Apesar da queda do preço do petróleo no mercado internacional, ainda continua a ser o maior produto de exportação nas trocas entre Angola e o Reino Unido. E qual o outro produto que pode ser exportado para o Reino Unido?

Para podermos exportar outros produtos para fora de Angola, e não só para O Reino Unido, temos que melhorar os procedimentos internos. Temos que assegurar a qualidade dos produtos e, obviamente, quantidade para responder à demanda. Falo da qualidade por causa da necessidade de se assegurar ao consumidor final que o produto responde às exigências internacionais. Uma vez o produto aceite é necessário assegurar a manutenção da cadeia de fornecimento. E a banana é um exemplo disso.

Ela já começou a ser exportada para o mercado português. E não há nada que diz que não possamos exportar para o Reino Unido. O café, um dos nossos produtos de bandeira, também pode ser exportado. E há um esforço do Executivo, através do Ministério da Agricultura, para o relançamento do café e dar-lhe a qualidade suficiente para ser exportado para o mercado europeu. Agora precisamos trazer tecnologia para termos qualidade, e termos uma cadeia de fornecimento robusta. (OPAIS)

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