Bispo de Luanda apela ao Governo angolano: medidas económicas mais justas à população

Kinanga, na periferia de Luanda, é retrato da crise económica angolana (DW)

Em discurso realizado nesta quarta-feira (12.10.) em Luanda, Filomeno Dias diz que Igreja Católica não pode ficar alheia à luta e à exigência pela justiça social no país.

O Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Filomeno Vieira Dias, fez um apelo às autoridades de Angola para tornarem mais justas à população as medidas adotadas devido à crise financeira no país.

O apelo foi feito durante discurso de abertura da II plenária ordinária, que arrancou esta quarta-feira (12.10.), em Luanda. Segundo o representante da Igreja Católica angolana, o poder de compra das famílias mais pobres está a diminuir cada vez mais.

“Continuamos a perceber e a sentir na nossa sociedade as consequências da crise financeira, com a baixa do poder de compra das famílias e exortamos a quantos têm responsabilidade nesta matéria que se tornem as medidas políticas mais justas de modo a que as pessoas menos protegidas não lhes faltem a proteção e o apoio da sociedade”, referiu o arcebispo de Luanda.

Demolições, violência e pobreza

Os bispos lamentaram a continuidade das demolições e o “cortejo das famílias que ficaram desamparadas, vivendo ao relento e algumas há vários meses ou mesmo anos, como no Panguila, partilhando (famílias diferentes) a mesma residência”.

Sobre a situação política, Filomeno Vieira Dias lamentou ainda a continuidade de sinais de intolerância política um pouco pelo país, bem como os assaltos violentos e outras situações de insegurança. O Presidente da CEAST manifestou também preocupação com o aumento do número de desempregados, sobretudo entre a juventude.

Vieira Dias fez igualmente referência à “necessidade urgente” de se realizarem eleições autárquicas em Angola, que considerou um “fator importante” para o desenvolvimento da sociedade angolana, tendo saudado o processo de registo eleitoral em curso.

Justiça social

O arcebispo de Luanda sublinhou que, apesar de a igreja não poder colocar-se no lugar do Estado, na assunção da responsabilidade da organização política da sociedade, não pode ficar alheia à luta e à exigência pela justiça.

No âmbito da crise económica e ausência de justiça social em Angola, outros setores da sociedade manifestam-se e prometem ir às ruas da capital Luanda no dia 26 de novembro. O principal motivo desta marcha é a nomeação da filha do Presidente José Eduardo dos Santos e empresária Isabel dos Santos para o cargo de Presidente da maior empresa estatal do país, a petrolífera Sonangol.

Como forma de contestação, um grupo de 14 advogados instaurou um processo no Tribunal Supremo alegando que a nomeação de Isabel dos Santos é inconstitucional e ilegal. Porém, passados mais de 100 dias, a Justiça ainda não apresentou nenhuma resposta.

Os organizadores da marcha do dia 26 de novembro apelam à participação dos cidadãos indiganados com a nomeação da filha de José Eduardo dos Santos à Sonangol, e também com a politização do sistema de Justiça em Angola. (DW)

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