Augusto Olivais novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau?

José Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau (REUTERS)

A delegação de mais de 20 pessoas regressou à Guiné-Bissau vinda de Conacri, onde foi concluído ontem um acordo para um governo inclusivo. Tudo indica haver consenso em torno do quadro sénior do PAIGC, Augusto Olivais, para chefiar o novo executivo, devendo ser nomeado já para a semana, mas foi pedido sigilo quanto ao seu nome.

O acordo de Conacri não clarifica o ponto da divergência que é a figura para chefiar o futuro governo inclusivo da Guiné-Bissau. A RFI soube, junto a fontes negociais, que as partes desavindas fizeram varias cedências em relação à proposta de três nomes apresentada pelo mediador, Alpha Condé.

No PAIGC a escolha recaiu na figura do antigo Secretário Nacional do Partido, Augusto Olivais, deixando cair os nomes de João Aladje Fadia, Director Nacional do BCEAO e Umaro Cissoko, considerado braço direito do Presidente José Mário Vaz.

O PRS deixou a decisão para o Presidente da República. Perante estas posições, o acordo tentou aproximar as partes já que os nomes apresentados em Conacri foram sugeridos pelo Presidente Mário Vaz.

As expectativas são enormes, defende o Representante da Sociedade Civil, Padre Domingos da Fonseca que afirmou que com o regresso de Conacri “seremos mais tranquilos. Que este acordo se torne o pilar para garantir, de uma vez para sempre, a coesão e estabilidade nacional”.

As negociações vão continuar. O Governo Inclusivo a constituir permanecerá até a realização das eleições legislativas e locais em 2018.

O governo guineense assinou o ministro da presidência do conselho de ministros, assuntos parlamentares e porta-voz do governo Aristides Ocante da Silva que evoca os dois principais pontos do Acordo de Conacri; “o Presidente da República deve nomear um primeiro-ministro da sua confiança está no acordo, mas que seja objecto de um consenso entre as diferentes partes”.

Por seu turno pela segunda força política guineense, o PRS, assinou Florentino Mendes Pereira, que sem indicar nomes ressalva que cabe ao Presidente indigitar o novo primeiro-ministro de sua confiança, mas com o consenso das partes; “ficou claro como nós sempre explicámos, no âmbito do primeiro acordo que assinámos, de que se vai nomear um novo primeiro-ministro e que deve ser da confiança do Presidente”.

Em representação dos 15 deputados dissidentes do PAIGC que, segundo o acordo de Conacri, serão reintegrados no partido sem condições, mas em conformidade com os estatutos do partido, quem assinou foi Braima Camará que apela à manutenção do espírito de unidade que permitiu o acordo de Conacri; “se todas as partes assinantes manterem o espírito que norteou a assinatura deste acordo vai satisfazer não só os quinze, mas o próprio país”.

“Permitiu à Assembleia Nacional Popular defender a ordem constitucional e das leis da República o que também se reflecte no acordo que rubricámos. Penso que é importante dizer aos guineenses que este acordo irá permitir a designação de um novo primeiro-ministro já na próxima semana” , como refere o Presidente do Parlamento guineense Cipriano Cassamá um dos assinantes do Acordo de Conacri.

Pelo PAIGC o documento foi assinado pelo seu presidente Domingos Simões Pereira, mas Aliu Candé recolheu as declarações do seu secretário nacional Ali Hijazi, que evoca sigilo quanto ao nome do novo primeiro-ministro, mas admite que o PAIGC cedeu em nome do povo guineense. “É positivo porque quando saímos daqui (da Guiné-Bissau) não tínhamos nada em comum. Nós cedemos porque tínhamos de ceder”, destacou secretário nacional do PAIGC, Ali Hijazi. (Rfi)

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