América Latina é a nova Angola?

Entre os três países que Marcelo Rebelo de Sousa vai visitar, Cuba é o que está a despertar maior curiosidade. (Foto:REUTERS/Alexandre Meneghini)

“Dos três países a visitar pelo Presidente da República, Cuba é aquele que mais curiosidade está a despertar”

Os construtores estão a olhar para a América Latina como a nova Angola. Este país africano chegou a representar mais de um terço do volume total de exportação das construtoras portuguesas. E toda a África já representou para o setor quase 70% do volume de exportação, segundo dados da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário.

Na terça-feira arranca uma visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Cuba, à Colômbia e ao Brasil. Havana é a primeira paragem e é um dos mercados em que os empresários veem potencial. Mas há outros: Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia e, claro, o Brasil.

A América Latina tem vindo a compensar, em parte, o peso que Angola já teve para as empresas nacionais. Não é exatamente a mesma coisa, até porque a maioria desses países não falam português e Espanha, ex-colonizador, domina no networking e no investimento, e os EUA querem fazer o mesmo.

Se isolarmos o caso do Brasil, Portugal pode tirar vantagens precisamente por não ser o colonizador. Os empresários podem partir à conquista sem complexos do passado e devem ir sem uma posição de sobranceria, que não costuma ajudar a fechar negócios e muito menos parcerias locais, como se viu por exemplo no continente africano.

Dos três países a visitar pelo Presidente da República, Cuba é aquele que mais curiosidade está a despertar. O país dos charutos viveu décadas e décadas fechado sobre si mesmo, com escassez de recursos naturais e humanos (com exceção para a área da saúde, em que tem dos melhores talentos do mundo) e tem hoje tudo por fazer em diversos setores.

Tal qual Angola, quando os empresários ali chegavam nos anos 1990 e viam o enorme potencial e o muito que havia para reconstruir e criar. Apurem-se os sentidos criativos, resilientes e de adaptação cultural e as oportunidades surgem. Mas não vão cair no colo.

Se ainda existirem empresários que consideram que África ou a América Latina são destinos onde é fácil e rápido vingar e lucrar, desenganem-se. Aliás, é preferível ficarem pelo hemisfério norte.

Há sofisticação de alguns negócios e forte concorrência internacional, da qual nem sempre nos apercebemos a partir de Lisboa. É preciso ir de peito aberto, sem complexos, e de olhos atentos. Acredito que a atitude certa será sempre um dos (vários) requisitos para o sucesso. (dinheirovivo)

Por: ROSÁLIA AMORIM

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