Aldeias abandonadas na estrada para Mosul são encontradas com túneis e bombas

Pessoas fogem de conflito em Qayyarah durante operação para resgatar Mosul. 19/10/2016. (REUTERS/Alaa Al-Marjani)

Um túnel profundo, munido de um explosivo improvisado, se estende por baixo das casas na entrada da aldeia. Por perto, uma mina terrestre repousa parcialmente enterrada em uma estrada suja.

Moradores começaram a retornar nesta quarta-feira para a aldeia Sheikh Amir, na estrada para Mosul, capturada de volta durante a noite por combatentes curdos, nos primeiros dias do maior avanço lançado contra o Estado Islâmico.

Eles se depararam com uma aldeia guarnecida de explosivos e entrincheirada com elaboradas defesas subterrâneas, abandonada pelos islamistas que se retiraram para mais perto de Mosul, 30 quilómetros para o oeste.

Três dias após o ataque iniciado contra Mosul, forças apoiadas pelos Estados Unidos e curdas estão a recuperar firmemente territórios afastados antes da grande investida contra a cidade em si. Espera-se que o ataque resulte na maior batalha no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

Grande parte de Sheikh Amir foi destruída, inclusive a casa de Abbas Ahmad Hussein, morador de 36 anos que fugiu da aldeia quando combatentes sunitas do Estado Islâmico a capturaram em 2014.

O xiita retornou nesta quarta-feira com um pequeno caminhão para avaliar os danos e remover quaisquer itens aproveitáveis, mas não encontrou nada para salvar em meio aos destroços.

“Gastei todo o meu dinheiro para construir essa casa e o Daesh (Estado Islâmico) a destruiu”, disse. “Meu irmão, meu tio e meus primos vivem por perto e eles destruíram todas as suas casas também. Eles destruíram todas as casas dos xiitas.”

Nas proximidades, uma casa foi alvo de um grafite, com tinta vermelha: “Xiitas são infiéis”.

A aldeia tinha uma população mista antes da chegada do Estado Islâmico, mas as casas de xiitas foram destruídas pelos combatentes que consideram todos os xiitas infiéis que precisam se converter ou morrer.

Mosul, o último grande reduto dos combatentes do Estado Islâmico no Iraque, é cinco vezes maior que todas as outras cidades em poder do grupo militante. Recapturá-la teria um impacto decisivo para o califado auto-declarado.

Mas os bunkers com armadilhas cavados por baixo da aldeia, assim como as injúrias escritas em seus muros, mostram como a empreitada pode ser difícil. Dezenas de milhares de soldados pró-governo enfrentarão um inimigo tenaz que teve anos para se preparar e possui um histórico de usar civis como escudos humanos. Uma população de cerca de 1,5 milhão de pessoas sofre o perigo de ser afectada pelo conflito. (Reuters)

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