A ousadia da marca De Grisogono de Isabel dos Santos

(Foto: D.R.)

A marca de bens de luxo de Isabel dos Santos ataca sozinha num mercado, o dos bens de luxo, dominada por alguns dos mais poderosos conglomerados globais.

A estratégia da De Grisogono para se fixar no topo do mercado da joalharia e da alta relojoaria é verdadeiramente ousada. O que a marca, que tem a curiosidade de ter como maior accionista a empresária angolana Isabel dos Santos, está a tentar é combater o efeito prolongado da erosão dos termos exclusividade, luxo e qualidade.

Com efeito, os termos referidos são actualmente dos mais gastos que existem, dado que a indústria do luxo, um conceito que abrange uma série de bens e de marcas, que produzem bens no sector da joalharia, da relojoaria e da moda, essencialmente, desmultiplica-se hoje em tanta oferta e em tantas variações, que se torna muito difícil, para as marcas, convencer o mercado que tem algo de singular.

A estratégia de produção, ou de criação, e de comunicação da De Grisogono, com esta última a comunicar em todos os principais media mundiais, procura exactamente recuperar valor para os três conceitos referidos. A exclusividade, para a marca, assenta na compra de matéria-prima superior à de toda a concorrência e na criação de peças únicas.

É deste modo que a marca, em associação com a empresa de extracção de diamantes Nemesis, tem comprado alguns dos mais raros e valiosos diamantes em bruto descobertos, como é o caso do Constellation, uma pedra de 813 carats descoberta no Botswana, que custou 63 milhões de dólares, que é apenas o mais recente de vários diamantes de qualidade superior que a marca adquiriu.

A mensagem de exclusividade não acaba aqui. Segundo a marca, o Constellation, e outras pedras já utilizadas, são cortados por especialistas, mas já com o conselho dos designers de jóias e relógios “da casa”, com o objectivo de serem criadas peças únicas. Exactamente, a mais recente peça única, ou seja, sem qualquer réplica, é um anel centrado num diamante branco de 16 carats, “cercado” por pequenos diamantes brancos e esmeraldas. Preço sob consulta, claro, e futuro comprador anónimo, ainda mais claro.

O luxo para a De Grisogono pode ser reinventado com o recurso ao mesmo processo, matéria-prima de topo exclusiva, mas também com a feitura, através daquela, de produtos de joalharia e relojoaria que estão num patamar acima da concorrência, em valor estético, defende a marca, mas também em valor de mercado. A ideia aqui é a de o mercado acreditar que, no nicho de topo do mercado de luxo, que já é um nicho, é possível escavar ainda um lugar mais cimeiro.

Assim, para a De Grisogono, exclusividade e luxo formam as bases de reinvenção do conceito mais gasto de todos, o da qualidade, isto é, um produto ter um valor justo por aquilo que oferece. Perante o investimento gigantesco que a marca está a fazer em matéria-prima, design e comunicação, a curiosidade é imensa para se saber como vai o mercado responder. (jornaldenegocios)

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