Uso de armas químicas contra civis no Darfur?

Amnistia Internacional (DR)

A Amnistia Internacional acusa as forças governamentais sudanesas de ter utilizado armas químicas no Darfur, e afirma ter “provas credíveis”. Num relatório de cerca de 100 páginas, hoje publicado, esta organização não-governamental afirma que foram realizados pelo menos trinta ataques com armas químicas entre Janeiro e Setembro, em localidades da região do Djebel Marra, numa operação militar contra os rebeldes.

Djebel Marra é tida como a base da rebelião contra o regime de Cartum, estando na origem da criação da Frente de Libertação do Darfur, hoje denominado Exército de Libertação do Sudão.

O relatório da Amnistia Internacional baseia-se em imagens de satélite, imagens de crianças com queimaduras de origem química, mais de 200 entrevistas com sobreviventes e analistas.

A ong afirma que terão ocorrido pelo menos 30 ataques com armas químicas na zona de Jebel Marra, desde Janeiro de 2016, e acredita que entre 200 a 250 pessoas morreram, devido a terem sido expostos a agentes químicos.

O Darfur é palco de um conflito sangrento desde 2003, iniciado por grupos de homens pertencentes a vários grupos étnicos minoritários da região, que pegaram em armas para lutar contra o poder de Cartum. O Presidente Omar el-Béchir anunciou então uma violenta repressão da insurreição.

A ONU estima que os combates causaram já mais de 300.000 mortos, e dois milhões e meio de deslocados de guerra. A Amnistia Internacional faz um apelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que pressione o Governo do Sudão, no intuito de serem asseguraradas as missões de manutenção de paz, e as agências humanitárias consigam chegar a Jebel Marra.

Lembre-se que o Presidente sudanês, Omar el – Béchir, é alvo de um mandado de captura internacional por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

As autoridades sudanesas já desmentiram ter levado a cabo ataques químicos na província do Darfur.

Daniel Oliveira, director de campanhas da organização não governamental Amnistia Internacional em Portugal, frisa o facto de haver provas sólidas nesta matéria. (RFI)

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