Um ano sem trégua para Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, no dia 9 de setembro de 2016 (AFP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciado nesta quarta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) como o “comandante máximo” da rede de corrupção que envolveu a Petrobras e outras empresas estatais, enfrenta um ano difícil.

Confira abaixo a cronologia dos principais acontecimentos, envolvendo o ex-presidente e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT):

– 4 de março de 2016 –

Lula é levado de seu apartamento em São Bernardo do Campo pela Polícia Federal para prestar depoimento, em uma dependência do Aeroporto de Congonhas, por determinação do juiz Sérgio Moro.

A operação ocorreu um dia após o então senador Delcídio do Amaral revelar que o ex-presidente havia agido para evitar a delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.

Lula, 70 anos, nega as acusações e pede a seus partidários que ocupem as ruas.

– 10 de março –

O Ministério Público de São Paulo denuncia Lula por ocultação de patrimônio no caso do tríplex no Guarujá, algo que o ex-presidente nega categoricamente. Os promotores consideram que Lula “violou a ordem pública”, ao convocar seus seguidores para sair às ruas contra uma “perseguição judicial”.

– 14 de março –

Uma juíza de São Paulo, que deveria se pronunciar sobre um pedido de prisão preventiva contra Lula por suposta lavagem de dinheiro, transfere o caso para o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato sobre a rede de corrupção na Petrobras.

– 15 de março –

A Justiça divulga depoimento de Delcídio do Amaral, no qual o senador acusa o então ministro da Educação, Aloízio Mercadante, de ter tentado comprar seu silêncio para proteger o governo da presidente Dilma Rousseff. O senador também formula acusações contra Lula, o ainda vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e o líder da oposição Aécio Neves (PSDB-MG).

– 16 de março –

Lula é nomeado chefe da Casa Civil por Dilma, cargo que o livra da ameaça de ser detido pelo juiz Sérgio Moro, de primeira instância, já que os ministros de Estado estão sob a alçada do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pouco depois, o juiz Moro libera a gravação de uma conversa por telefone entre Lula e Dilma sobre o envio do documento da nomeação para ser utilizado em caso de necessidade.

– 17 de março –

Lula toma posse como ministro, mas o juiz do Supremo Gilmar Mendes suspende sua designação. O governo recorre e Dilma denuncia uma manobra de “golpistas”.

– 28 de março –

Lula diz a correspondentes estrangeiros em São Paulo que o juiz Moro “é uma figura inteligente, competente, mas, como ser humano, temo que a mosca do poder tenha tido seus efeitos nele”.

– 31 de março –

O STF assume provisoriamente as investigações sobre Lula, impondo a primeira derrota ao juiz Moro.

– 7 de abril –

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomenda a anulação da nomeação de Lula como ministro, com base na tese de que se trata de uma manobra para escapar da Justiça.

– 20 de abril –

O plenário do Supremo decide adiar sua decisão sobre a nomeação de Lula, sem fixar uma nova data para o caso.

– 12 de maio –

Dilma, que denuncia um “golpe de Estado” institucional, é suspensa de suas funções pelo Senado, e o governo passa a ser liderado pelo vice-presidente, Michel Temer.

– 26 de agosto –

A Polícia Federal acusa Lula de se beneficiar de subornos de empresas ligadas à Petrobras e envia o expediente à Procuradoria.

– 31 de agosto –

O Senado aprova o de Dilma.

– 14 de setembro –

O Ministério Público Federal denuncia Lula “como comandante máximo do esquema de corrupção”, envolvendo a Petrobras. (AFP)

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