UE decide suspender as Farc da lista de organizações terroristas após acordo de paz

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em Estrasburgo, no dia 13 de Setembro de 2016 (AFP)

A União Europeia decidiu suspender a guerrilha das Farc de sua lista de organizações terroristas, anunciou nesta segunda-feira a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, horas antes da assinatura dos acordos de paz na Colômbia.

“O Conselho da União Europeia decidiu suspender as Farc da lista de organizações terroristas. Esta decisão terá pleno efeito uma vez seja assinado o acordo de paz”, declarou Mogherini em um comunicado.

As declarações da chefe da diplomacia europeia chegam horas antes de o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas) assinarem em Cartagena (norte) o histórico pacto alcançado o 24 de Agosto após quatro anos de negociações em Cuba.

Para Mogherini, que delegou em seu enviado especial Eamon Gilmore a representação europeia em Cartagena, a Colômbia tem “o valor de passar página depois de cinquenta anos de longo conflito, dando mostras a todo o mundo [de] que a paz é possível”.

“A Colômbia manda hoje uma mensagem de esperança ao resto do planeta”, acrescentou.

A decisão da UE não implica a retirada definitiva das Farc desta lista criada em 2001 após os atentados de 11 de Setembro em Nova York e nas que entraram um anos depois.

A medida se traduz na prática na suspensão das sanções adoptadas contra a guerrilha depois de sua inclusão na lista da UE em 2002.

Segundo fontes diplomáticas, que pediram o anonimato, esta decisão estará em vigor durante seis meses e será revisado de novo terminado esse prazo.

“No entanto, nossa contribuição a este acordo vai mais além”, acrescentou Mogherini, em referência ao fundo de aproximadamente 575 milhões de euros destinado a consolidar à paz em Colômbia no período do pós-conflito.

Este fundo inclui empréstimos por 400 milhões de euros por parte do Banco Europeu de Investimentos (BEI), assim como subvenções através do fundo fiduciário “Columba” por um montante de 90 milhões de euros, entre outras medidas anunciadas em maio por Mogherini em Bogotá. (AFP)

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