Todo ano, este continente inteiro “anda” 7 centímetros

(Foto: State Library of South Australia/Flickr)

Embora ninguém sinta o movimento da Terra e de suas placas tectônicas no dia a dia, é fato que essas mudanças acontecem o tempo todo. E ao cabo de anos, décadas e séculos, os efeitos cumulativos desses movimentos apresentam consequências. Ao menos para a tecnologia. É o que tem acontecido com os sistemas de mensuração e localização em relação ao continente australiano, que sabidamente se move 7 centímetros rumo ao norte todos os anos. Esse deslocamento tem feito com que esses equipamentos não sejam mais capazes de aferir localizações precisas, sobretudo por meio da tecnologia GPS.

As coordenadas locais produzidas por técnicos australianos empregadas na elaboração de mapas já são diferentes daquelas geradas por sistemas de navegação via satélite, que por sua vez oferecem localizações basedas em linhas longitudinais e latitudinais, estáticas em relação à Terra e aos seus movimentos. As discrepâncias entre os sistemas de localização podem chegar a 1 metro. Pode parecer pouca essa diferença em relação às dimensões do planeta, mas levando-se em consideração os sistemas de precisão que dependem dessas aferições, as consequências podem ser relevantes.

No caso da localização via GPS (em inglês, global positioning system), por se tratar de um sistema de posicionamento através de satélites, e do qual dependem muitas outras tecnologias (como smartphones, por exemplo), essa defasagem de 1 metro pode até causar acidentes. É o caso de carros automáticos — sem motoristas — que embora ainda não estejam sendo empregados no dia a dia das cidades ou como transporte público, já têm sido utilizados na agricultura, por exemplo. Na própria Austrália, algumas fazendas usam tratores automáticos, de modo que coordenadas de navegação desencontradas podem causar sérios problemas.

A última atualização do sistema de coordenadas do Geocentric Datum of Australia foi realizada em 1994, e desde então se estima que o continente “andou” 1,5 metro para o norte. A próxima medição, prevista para janeiro de 2017, já contará com um movimento de 1,8 metro. A ideia é aperfeiçoar um sistema que detecte e atualize esse movimento automaticamente, sem que ajustes precisem ser feitos, de modo que outros países possam se basear nesse sistema. (Yahoo)

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