Sócrates sobre Carlos Alexandre: “insinuação covarde e torpe”

(Lusa)

Em entrevista à TSF, o antigo primeiro-ministro reagiu às palavras de Carlos Alexandre, classificando-as como uma “insinuação covarde e torpe”. Sócrates deixou ainda críticas a Marcelo Rebelo de Sousa.

José Sócrates acusa o juiz Carlos Alexandre de ter feito uma “insinuação covarde e torpe“, ao dizer que não tem “dinheiro em contas de amigos”. Numa entrevista à TSF, Sócrates considerou que a declaração do juiz, numa entrevista à SIC, é “uma insinuação gravíssima”, feita “fingindo que não estava a falar do processo e afinal estava”.

O antigo primeiro-ministro disse que foi “fundamentalmente essa expressão” que sentiu como referência ao seu processo. “Uma das principais imputações, que eu já classifiquei como absurda, estapafúrdia, que não tem o mínimo de sustentação no processo é justamente a ideia de que o dinheiro do meu amigo afinal é meu“, afirmou. Até porque, continuou Sócrates, “se há alguma coisa que está provado no processo, quer documentalmente, quer por testemunhos, é exatamente o contrário, é que esse dinheiro é do meu amigo, e legitimamente do meu amigo“.

Para Sócrates, o juiz Carlos Alexandre “faltou aos seus deveres”, porque a a sua frase “pretendeu, deliberadamente, objetivamente, fazer publicamente um juízo de culpabilidade”. “O senhor juiz abusou do seu poder. Ultrapassou todas as fronteiras“, considerou o antigo primeiro-ministro.

Na entrevista à SIC, Carlos Alexandre apresentou-se como um “saloio de Mação” que precisa de trabalhar para pagar as contas e não tem dinheiro em nome de amigos. “Não tenho fortuna pessoal, nem herdada, não tenho amigos pródigos, os meus encargos só são sustentados com trabalho sério”, disse o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

Na entrevista à TSF, Sócrates deixou ainda duras críticas a Marcelo Rebelo de Sousa. Ao visitar o DCIAP “a uma semana daquilo que já estava mesmo a ver-se que era mais um adiamento”, Marcelo “fez um sinal político, que não me escapou”, de que “está do lado de uma instituição contra o indivíduo”, garantiu José Sócrates.

“Eu quero recordar que o senhor Presidente da República não foi eleito pelas instituições. Foi eleito pelos cidadãos”, disse Sócrates, acrescentando que o principal dever de Marcelo “é com os direitos dos cidadãos, e não com os direitos da instituições”. “Muito menos das instituições que decidem abusar do seu poder, que decidem violar a lei, que decidem ultrapassar prazos, que decidem tratar as pessoas com uma selvajaria que nunca vi”, acrescentou, referindo-se ao Ministério Público. (Observador)

por João Francisco Gomes

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