Rio2016: Sayovo continua recordista nos 400m

José Sayovo é a maior referência do desporto em Angola (Foto: António Escrivão)

Doze anos depois de se ter tornado o homem mais rápido do atletismo adaptado mundial, José Armando Sayovo mantém-se como recordista paralímpico dos 400 metros com a marca de 50.03 obtida em Atenas’2004.

Naquela edição, o velocista angolano notabilizou-se por ter conquistado triplamente a medalha de ouro nos 100, 200 e 400 metros com os respectivos recordes mundiais e paralímpicos na classe para deficientes visuais (T11).

No evento, Sayovo não deu hipótese aos oponentes inclusive nas preliminares vencendo com larga vantagem as nove provas em que participou.

Nos 100 metros fez o tempo de 11 segundos e 37 centésimos, batendo o anterior recorde de 11.38 pertença do russo Serguei Sevostianov estabelecido em 1983.

A prova dos 200m foi corrida em 23.04, melhorando o registo de 23.16, que pertencia ao cubano Adrian Iznaga desde 2002.

Nos 400m estabeleceu um novo recorde de 50.03 superando a anterior marca de 51.29, que já era sua pertença.

Efectivamente, depois de ter surpreendido em 2003 no Campeonato do Mundo no Canadá, o atleta baixou ainda mais o tempo nos 400m em Atenas para 50.03, marca que se mantém volvidos 12 anos.

Nos Jogos do Rio2016 que terminam neste domingo com a realização de maratonas em diversas especialidades, os 400m masculinos para deficientes visuais foram ganhos pelo espanhol Gerald Blanquino, cronometrando 50 segundo e 22 centésimos, portanto, mais 19 centésimos que a marca estabelecida por Sayovo.

O atleta nascido a 3 de Março de 1973, no município da Catabola, província do Bié, terminou a carreira desportiva em 2015. Competiu pela última vez em Jogos Paralímpicos na edição de Londres, onde conquistou a medalha de ouro nos 400m e bronze nos 200m.

Do futebol ao boxe, e depois ao atletismo, já sem visão, perdida na sequência de um acidente com uma mina, em 1998, quando cumpria o serviço militar nas Forças Armadas Angolanas (FAA), Sayovo é a maior referência do desporto angolano.

O seu primeiro contacto com o atletismo para deficientes ocorreu quando se encontrava em tratamento no Hospital Militar de Luanda (1999) a convite do actual secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano e do seleccionador nacional, respectivamente, António da Luz e José Manuel.

Na segunda corrida em que participou, uma prova em Luanda, José Sayovo ficou na segunda posição tendo sido a partir daquela altura em que acredita ser possível praticar atletismo apesar da falta de visão.

Os Jogos Paralímpicos de Atenas foram o momento mais alto da carreira deste atleta que acumulando em Jogos Paralímpicos um pecúlio de oito medalhas três de ouro em Atenas2004, três de prata em Pequim2008, uma de ouro nos 400m e outra de bronze nos 100m na edição de Londres2012.

Devido aos feitos, seu nome está eternizado com a institucionalização, por parte do Ministério da Juventude e Desportos, de uma prova anual a 23 de Janeiro, Dia Nacional do Desporto, denominada “Taça José Sayovo”. (ANGOP)

Por: Marcelino Camões

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