Rede de supermercados de portugueses na Venezuela controlada por militares

(Reuters)

Vários clientes do supermercado queixaram-se que quando os militares organizam as filas, predominam “interesses particulares” que recebem “bilhetes de identidade e dinheiro” de revendedores ilegais para lhes permitirem que passem a comprar alimentos que estão escassos no mercado venezuelano.

A Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), tomou na quarta-feira o controlo da venda de produtos básicos na sucursal de Carrizal, da rede de supermercados Central Madeirense, propriedade de portugueses radicados na Venezuela, denunciaram vários clientes do estabelecimento.

“Somos uma comunidade organizada que já tínhamos estabelecido as filas (para comprar), formadas por habitantes do sector, pessoas da terceira idade e visitantes. Os funcionários da GNB chegaram e de maneira grosseira pediram-nos que nos retirássemos”, disse aos jornalistas o representante do Conselho Comunal Colinas de Carrizal (sul de Caracas).

Daniel Flores explicou que os militares insistiram que eles se encarregavam do processo, e que, de maneira arbitrária, eliminaram as filas de seis horas e “tomaram o controlo” da venda da Central Madeirense.

Vários clientes do supermercado queixaram-se que quando os militares organizam as filas, predominam “interesses particulares” que recebem “bilhetes de identidade e dinheiro” de revendedores ilegais para lhes permitirem que passem a comprar alimentos que estão escassos no mercado venezuelano.

“Muitos moradores (estão) muito tempo sem poderem comprar nesse estabelecimento, porque existe uma enorme corrupção dos uniformizados, por isso pedimos às autoridades locais que permitam que o Conselho Comunal fiscalize as filas para que (…) todos possamos adquirir os produtos, equitativamente”, disse Daniel Flores.

Em resposta à acção da GNB, os clientes iniciaram um protesto que impediu temporariamente a circulação de viaturas nas proximidades do supermercado.

Na Venezuela são frequentes as filas de pessoas junto a supermercados à espera para comprar produtos básicos que escasseiam no mercado local e que muitas vezes são vendidos sem chegarem a ser colocados nas prateleiras.

Apesar de estarem proibidas, as filas começam desde a madrugada e são supervisionadas por representantes dos conselhos comunais, algumas vezes por militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela, enquanto a GNB cuida da segurança dos cidadãos e da mercadoria. (Negocios)

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