Programa de reabilitação arranca a passos acelerados

As viagens para a região Centro e Sul pela estrada nacional N100 estão mais demoradas face ao crescente estado de degradação que a apresenta. (Foto: D.R.)

Plano operacional da linha de crédito da China prevê recuperar em 14 meses a estrada nacional N100, numa extensão de aproximadamente 430 quilómetros entre as províncias de Luanda e Benguela.

Um total de 430 quilómetros de estradas do troço Cabo Ledo (Luanda)/ Lobito (Benguela) começam a ser recuperadas, no âmbito do plano operacional da linha de crédito da China, cujas obras terão a duração de14 meses.

O acto de consignação das obras enquadradas no programa de reabilitação das infra-estruturas estruturantes da rede primária nacional, numa iniciativa do Ministério da Construção, teve lugar na passada terça-feira, em vários pontos ao longo do troço, testemunhado pelo titular da pasta, Waldemar Pires Alexandre, governadores dasprovíncias do Cuanza Sul, Eusébio Teixeira de Brito, e de Benguela, Isaac Maria dos Anjos, além do director-geral do Instituito Nacional de Estrdas de Angola (INEA), por representantes das empresas chinesas envolvidas no projecto e outras individualidades.

Empreitadas

O projecto contempla 250 km de extensão da rede primária, no percurso Cabo Ledo/rio Keve/ Sumbe e 180 no troço Sumbe/ Lobito. Subdividido em vários lotes, designadamente Cabo Ledo/ ponte do rio Longa, numa extensão de 75,2km, cuja empreiteira será a construtora chinesa Qingjian group, com o custo da obra avaliado em mais de 35,4 milhões de dólares norte-americanos, e que prevê gerar 290 empregos, entre nacionais e expatriados. Está ainda consignada a obra ponte o rio Longa/rio Keve, numa extensão de 92,7 km, rio Keve/ Sumbe, Sumbe/ponte sobre o rio Eval (78,2), num investimento de 58,4 milhões de dólares, gerando 300 empregos, cuja execução é da responsabilidade da empreiteira chinesa Sinohydro.

O projecto abrange ainda o percurso ponte sobre o rio Eval/ ponte sobre o rio Culango (62,9), num custo de 36,7 milhões, a ser desenvolvida pela firma Sinomach, que prevê 290 empregos.

A construtora chinesa Sinomach também irá reparar o percurso rio Culango/Lobito (39,1), com o custo de 27,5 milhões, com previsão de 260 trabalhadores.

A iniciativa governamental contemplou também a reabilitação do troço Gabela/Quilenda, na estrada nacional N110, numa percurso de 35 km, obra que será desenvolvida pela a empresa CR20, num custo de 27,3 milhões de dólares, com um total de 180 empregos.

Satisfação

Em declarações à imprensa, o governador da província do Cuanza Sul, Eusébio Teixeira de Brito, informou que o projecto de consignação das obras representa um passo rumo ao progresso da província, na medida em que, vai melhorar a circulação de pessoas e bens em vários eixos.

Entre os vários eixos em reabilitação, o responsável destacou a via Gabela/Quilenda, que no seu entender é de estrema importância, já que a região tem um grande potencial agricola, principalmente na produção de café.

“A diversificação da economia do país vai passar por estas importantes infra-estruturas rodoviárias”, destacou.

Considerou igualmente de uma mais-valia a consignação das obras que visam à reabilitação da estrada nacional 120, no troço Alto Dondo/Waku Kungo/ponte sobre rio Keve, ponte sobre o rio Quimone/ São Mamede e São Mamede/Waku Kungo/Cassongue, acto realizado na semana passada pelo Ministério da Construção.

Quanto às dificuldades, o governador províncial destacou que ainda persistem várias, principalmente no troço Cariango/Mussende, associado às vias secundárias e terciárias, que clamam por uma internvenção urgente.

“Há também o problema das vias terciárias, que são a veia do desenvolvimento económico, uma vez que a província do Cuanza Sul.

é fundamentalmente agrícola, quer em fruteiras, como em hortículas e cereais, cujas áreas de produção apresentam dificuldades de acesso pelo facto de as vias não estarem reabilitadas, prejudicando o transporte para os grandes centros de consumo”, salientou Eusébio Teixeira de Brito.

Assegurar o crescimento

Por sua vez, o governador da província de Benguela, Isaac Maria dos Anjos, que junto à localidade do Eval Guerra (fronteira entre as províncias do Cuanza Sul e de Benguela), assistiu o acto de consignação das obras do percurso ponte sobre o rio Eval/ponte sobre o rio Culango, disse que a iniciativa governamental é de “importância capital”, devido à elevada frequência do trafégo no troço Luanda/Sumbe/Lobito.

“Esta é uma via muito utilizada pela indústria de camionagem, principalmente a elevadíssima circulação de e para à parte Sul e Central do país”, disse.

Sobre os problemas que o sector enfrenta na província, Isaac Maria dos Anjos, chamou a atenção às dificuldades que se fazem sentir na circulação rodoviária no eixo Caimbambo/ Caála, associado também às vias secundárias e terciárias.

“É consensual de que as vias estruturantes principais devem ser priorizadas, por que contribuem para o fomento do turismo, de Luanda para o resto do país, mas também terá que se

Rigor na fiscalização

O ministro da Construção anunciou que será uma recuperação “profunda”, na medida em que, o projecto prevê a melhoria estrutural das características físicas da estrada nacional N100.

Para isso, precisou, será feita uma fiscalização minunciosa e eficiente das obras, de modos a que a construção da estrada tenha a qualidade e a durabilidade desejada, de um período mínimo de cinco anos.

Aos actores envolvidos no processo, o ministro lembrou a necessidade do cumprimento das normas e regulamentos inscritos nos cadernos de encargo.

“Trabalharemos para que estas obras tenham a durabilidade e apelamos aos utilizadores a terem o cuidado na preservação do projectos, já que é um enorme esforço que o Estado angolano está a fazer”, precisou.

Waldemar Pires Alexandre adiantou que com a reabilitação da estrada nacional 100, o processo de aceleração da diversificação da economia nacional será garantido.

Quanto à participação das empresas angolanas no processo de reabilitação da rede fundamental de estradas, no quadro da linha de crédito da China, que prevê 20 por cento dos recursos alocados as empresas chinesas servirem para a subcontratação das firmas locais, o ministro garantiu que o processo está acautelado, tendo anunciado que decorre, actualmente, a selecção das empresas angolanas que posteriormente serão submetidas à escolha das companhias chinesas encarregues de executar as obras.

“O processo está acautelado e estamos a tranquilizar os nossos empreiteiros locais que esta cláusula está salvaguardada”, pontualizou.

Infra-estruturas integradas

Sobre a paralização das obras das infra-estruturas integradas das cidades da Gabela, Porto Amboim e Sumbe, o governante informou que o actual cenario macro-económico está na base da situação, tendo assegurado que o Executivo está engajado num “esforço premente”, para que o projecto retome.

“Apesar das dificuldades financeiras, o Governo priorizou a cidade do Sumbe, onde a breve trecho, encontraremos uma solução que se enquadre naquilo que são as preocupaçoes do governo da província, principalmente o funcionamento das infra-estruturas que possam facilitar o escoamento das águas resultantes das quedas pluviométricas”, revelou, depois de ter frisado que o Sumbe está numa situação geográfica bastante difícil (jornaldeeconomia)

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