Pergaminho revela um dos primeiros textos do Antigo Testamento

Manuscrito do Antigo Testamento, é visto em Jerusalém, no dia 20 de julho de 2015 (AFP)

Um frágil pergaminho hebraico, que acaba de ser aberto e digitalizado, revelou a cópia mais antiga de uma escritura bíblica do Antigo Testamento já encontrada, anunciou na quarta-feira um grupo de pesquisadores.

Conhecido como o pergaminho En-Gedi, o rolo contém um texto do Levítico e data pelo menos dos séculos III ou IV, e possivelmente antes, segundo um artigo da revista Science Advances.

Trata-se do pergaminho mais antigo já encontrado do Pentateuco, a colecção dos cinco primeiros livros da Bíblia.

A publicação afirmou que decifrar seu conteúdo foi “uma importante descoberta da arqueologia bíblica”.

O pergaminho em si não é o mais antigo já encontrado. Tal honra pertence ao bíblico Manuscritos do Mar Morto, que data de entre o século III antes de Cristo e o século II da nossa era.

A datação por radiocarbono mostrou que o pergaminho En-Gedi data do século III ou IV depois de Cristo, embora alguns especialistas acreditem que possa ser mais antigo.

As análises sobre o estilo da caligrafia e os traços das letras sugerem que poderia ser da segunda metade do século I ou de princípios do século II depois de Cristo.

Por muito tempo se pensou que seu conteúdo havia sido perdido para sempre porque o rolo foi queimado no século VI e era impossível tocá-lo sem que se desfizesse em cinzas.

O pergaminho foi encontrado em 1970 por arqueólogos em En-Gedi, lugar de uma antiga comunidade judia do fim do século VIII. Seus fragmentos foram preservados por décadas pela Autoridade de Antiguidades de Israel.

“A estrutura principal de cada fragmento, completamente queimada e esmagada, tinha se transformado em pedaços de carvão que continuavam se desintegrando cada vez eram tocados”, disse o estudo.

Os pesquisadores utilizaram como ferramenta um avançado scanner digital para “desenrolá-lo virtualmente” e ver seu conteúdo.

“Ficamos impressionados com a qualidade das imagens”, disse Michael Segal, director da Escola de Filosofia e Religião da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Os cientistas também ficaram impactados com “o fato de que nessas passagens o pergaminho En-Gedi Levítico é idêntico em todos os seus detalhes, tanto as letras como a divisão em secções, ao que chamamos de texto massorético, o texto judaico vigente até hoje”, disse Segal.

Os pesquisadores esperam que as técnicas utilizadas para lê-lo sirvam também para outros pergaminhos danificados, incluindo alguns da colecção do Livro do Mar Morto, que continua sendo indecifrável. (AFP)

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