Partido no poder sai reforçado das autárquicas em Cabo Verde

Augusto Neves (esq.), candidato do MpD, e presidente do partido, Ulisses Correia e Silva, no Mindelo (MpD)

O MpD vence em 19 das 22 Câmaras Municipais nas autárquicas de domingo. A líder do maior partido da oposição, o PAICV, retira “ilações políticas” e coloca cargo à disposição.

Foi uma vitória histórica, nunca antes registada no país: nas eleições de domingo (04.09), o Movimento para a Democracia (MpD) venceu em 19 das 22 Câmaras Municipais do país, mais cinco do que nas autárquicas de 2012.

O partido no poder mantém-se em Câmaras como a da Cidade da Praia, São Vicente e Santa Catarina de Santiago, e venceu ainda as três na ilha de Santo Antão (Porto Novo, Ribeira Grande e Paul). Pela primeira vez, o MpD conquistou as Câmaras Municipais no Fogo (São Filipe e Santa Catarina), ilha tida como bastião do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), levando ainda a melhor sobre o partido na oposição em Ribeira Brava de São Nicolau, São Salvador do Mundo e São Lourenço dos Órgãos, na ilha de Santiago.

O MpD manteve também as Câmaras de Tarrafal de São Nicolau, Sal, Maio, Tarrafal de Santiago, São Miguel, Ribeira Grande de Santiago, São Domingos e Brava.

Foi uma “grande vitória”, sumarizou Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro e presidente do MpD.

“Atingimos as nossas metas. Propusemo-nos sempre a vencer estas eleições e vencer de uma forma convincente”, afirmou no domingo. “Os cabo-verdianos, os munícipes nos diversos concelhos e ilhas, responderam positivamente às propostas dos nossos candidatos.” Derrota do PAICV

O PAICV obteve apenas vitórias em duas das oito Câmaras que geria, saindo claramente derrotado destas eleições. O partido governa agora unicamente nas edilidades dos Mosteiros, na ilha do Fogo, e Santa Cruz, em Santiago.

Face aos resultados, a presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, colocou o cargo à disposição.

“Este é o momento de podermos retirar as ilações políticas”, afirmou. “Mais uma vez, inspirando-me em Amílcar Cabral, na responsabilidade que devemos ter, nas ilações que devemos tirar, coloco imediatamente o meu cargo de presidente do PAICV à disposição, certa de que é a melhor decisão, depois de uma profunda reflexão que pude fazer.”

Na ilha da Boavista, governada pelo MpD, venceu o grupo independente BASTA, liderado pelo deputado do Movimento para a Democracia José Luís Lima Santos, que avançou após não contar com o apoio do partido.

António Monteiro, líder do terceiro maior partido cabo-verdiano, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), anunciou entretanto que pretende impugnar as eleições autárquicas, por considerar que a permanência de fiscais de controlo nas imediações das mesas de voto pode ter prejudicado o seu partido.

“Não estando previsto no Código Eleitoral é algo anormal. E sendo anormal terá que ser analisado em sede própria e iremos fazer isso”, disse Monteiro, que perdeu pela quarta vez em São Vicente.

A taxa de abstenção nestas autárquicas situou-se nos 41,7%, sendo a terceira maior na história de Cabo Verde, segundo os dados provisórios divulgados online pelas autoridades do país. (DW)

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