ONU: Angola reclama direito de África ter assento permanente no Conselho de Segurança

O vice-Presidente da República, Manuel Vicente. (Foto: D.R.)

O vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, reclamou nas Nações Unidas o direito do continente africano de ter assento permanente no Conselho de Segurança, órgão cuja reforma considerou “um imperativo”.

No seu discurso perante a 71.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, o dirigente angolano lembrou que as alterações registadas nas últimas décadas no mundo – a natureza dos conflitos, o terrorismo e as alterações climáticas – exigem reformas que permitam “a revitalização do sistema das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança”.

“A reforma deste Conselho não é meramente opcional, mas um imperativo que, se não for realizado, pode levar à incapacidade de actuação da Organização das Nações Unidas e ao contínuo esboroar da sua legitimidade e credibilidade”, avisou Manuel Vicente (na foto).

O representante de Angola sublinhou que o seu país “é a favor do alargamento do número dos membros permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança” e reiterou “o directo do continente africano de estar representado entre os membros permanentes”.

Num discurso de cerca de 14 minutos, o dirigente angolano não quis deixar de referir que “a República de Angola é um país estável do ponto de vista político e social, onde se regista uma maior consolidação da unidade, reconciliação nacional e das suas instituições”.

Reconheceu que no plano económico “os desafios são hoje maiores, por causa da incerteza” em torno dos preços das matérias-primas no mercado internacional. “Mas continuamos a trabalhar para reajustar os nossos planos de acção e para encontrar os caminhos do crescimento económico e proteger a melhoria de vida das nossas populações”, afirmou.

Numa reunião que tem como lema “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS]: um impulso universal para transformar o nosso mundo”, Manuel Vicente garantiu que Angola “está firmemente empenhada na implementação dos objectivos da agenda 2030 do desenvolvimento sustentável”.

Referindo-se concretamente às alterações climáticas, cujo combate é um dos 17 ODS, o representante de Luanda considerou-as “uma das questões mais complexas e urgentes da política interna e externa, tendo em conta o impacto sobre as migrações, a segurança alimentar, os recursos naturais, a propagação de endemias e até a estabilidade social e económica”.

Manifestou a intenção de Angola de “ratificar no mais curto espaço de tempo possível o acordo de Paris” sobre o clima, alcançado em 2015.

Manuel Vicente referiu-se também aos principais problemas que afectam os países da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, cuja presidência Luanda detém actualmente.

Congratulou-se com a conclusão do processo de paz e eleitoral na República Centro-Africana, apelou ao intensificar do diálogo para a paz no Burundi e à promoção da “boa vizinhança e segurança recíproca” ao longo das suas fronteiras e apelou ao apoio ao processo eleitoral na República Democrática do Congo, cujas eleições considerou “vitais para a paz e a estabilidade” da região.

“Tanto as Nações Unidas como a União Africana devem dedicar uma especial atenção às crises na Líbia, no Mali, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo, no Sudão, no Sudão do Sul, na Somália e no Burundi

Falou ainda de outros problemas, como o terrorismo, os conflitos na Líbia, na Síria e no Iraque ou a crise das migrações, que considerou “uma realidade constrangedora e um quadro degradante, ofensivo da dignidade humana que exige resposta imediata e abrangente da comunidade internacional”.

Para terminar, manifestou o apreço de Angola pelo secretário-geral das Nações Unidas, que se encontra em fim de mandato, mas não fez qualquer referência ao seu eventual sucessor ou ao processo de eleição em curso.

A 71.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, sob o lema “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável: um impulso universal para transformar o nosso mundo”, acontece a cerca de um mês da data prevista para o fim do processo de escolha do novo secretário-geral desta organização, no qual o português António Guterres é um dos candidatos. (jornaldenegocios)

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