Nove milhões de angolanos sem vacina contra a febre amarela

(Foto: D.R.)

Informações apresentadas pelo director nacional de Saúde Pública dão conta da existência de um universo de nove milhões de pessoas ainda por vacinar contra a febre-amarela, em todo país. Preocupa as autoridades o facto de muitos se absterem da vacina invocando motivos religiosos, falta de tempo, medo de ficarem inférteis e a inibição ao consumo de álcool.

O director nacional de Saúde Pública, Miguel Oliveira, disse ontem, durante um “café de ideias” com os jornalistas, que nas próximas duas semanas o nosso país vai receber dois milhões de vacina para reduzir os nove milhões de pessoas que ficaram por vacinar. Apesar de as entidades de Saúde terem priorizado as campanhas aos municípios populosos, ainda existem nesses locais 5% de indivíduos que não foram vacinados. “Simplesmente não querem ser vacinados.

Ainda prevalece em muitos o mito de que a vacina causa infertilidade, que mata ou que se lhe for aplicada não pode mais beber, para além dos que invocam questões religiosas”, disse, apelando aos meios de comunicação social que ajudem a desmitificar essas alegações que têm sido uma pedra no sapato. Nas cinco fases de campanhas foi possível cobrir 73 municípios de 14 províncias, com uma média de 95% de cobertura, perfazendo assim um total 16 milhões, 11 mil e 303 pessoas vacinadas, atingindo 63% da população alvo nacional de cerca 25.733.243 pessoas.

Neste caso, falta vacinar nove milhões de pessoas de 93 municípios. A preocupação, no início da campanha, foi cobrir os municípios mais populosos, por isso os que ainda não foram vacinados, embora sejam muitos, são os menos populosos. “Quanto às vacinas, vamos receber cerca de dois milhões de doses. O pagamento por parte do Executivo está garantido, mas ainda dependemos da disponibilidade no mercado internacional”, sublinhou.

No que diz respeito à “importação” do vírus de países vizinhos, Manuel Oliveira declarou que cerca de 80% dos municípios fronteiriços já foram vacinados, pelo que não há motivos para preocupação. Estão a ser exigidos os cartões de vacina nas fronteiras e proibida a vacinação no aeroporto, visto que esta deve ser feita 10 dias antes de qualquer viagem ao exterior.

Último caso foi registado no Kuanza-Norte

Na última semana, registaram-se 20 casos suspeitos, sem confirmação nem óbitos. O total de casos suspeitos, desde que se registou o surto, é de 4110, 373 óbitos e um total de 860 casos confirmados ao nível do país. O último caso foi confirmado no dia 24 de Junho, na província do Kuanza-Norte, como garantiu Manuel Oliveira.

A campanha de vacinação está no topo das acções desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, face ao surto que o país registou, seguido da luta antivectorial (contra o mosquito Aedes Aegypti), a vigilância epidemiológica e a mobilização social, uma vez que é fundamental sensibilizar a população para que adopte medidas que não coloquem em risco a saúde.“Depois de vacinadas, as pessoas devem ficar 12 horas sem consumir álcool. A vacina não mata nem nos torna inférteis, devem tirar isso da cabeça”, esclareceu. (OPAIS)

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