Mulheres em órgãos de decisão subirá para 40 porcento até 2020

Colômbia: OMA participa na reunião da Federação Democrática Internacional de Mulheres (Foto: Cedida)

O número de mulheres angolanas em órgãos de decisão deverá atingir os 40 porcento até ao ano 2020, afirmou hoje, sexta-feira, a vice-presidente cessante da Federação Democrática Internacional de Mulheres para África (Fdim), Luzia Inglês Van-Dúnem “Inga”.

Falando no XVI Congresso da FDIM, que decorre desde quarta-feira, em Bogotá, Colômbia, frisou que o aumento do número de mulheres deve-se à capacidade interventiva e de defesa da mulher, em particular, e dos angolanos em geral, da Organização da Mulher Angolana (OMA), em que obteve várias conquistas políticas.

“A OMA realizou o seu VI Congresso de dois a cinco de Março de 2016 e perspectivou o aumento da integração e participação da mulher angolana na vida política, económica e social e o reforço das parcerias institucionais”, frisou.

Segundo Luzia Inglês, os dados revelam que os países africanos têm sido capazes de contornar os seus obstáculos históricos e posicionar-se como verdadeiros exemplos para outras democracias no mundo e convidam a reflectir sobre os aprimoramentos que as dinâmicas políticas e sociais próprias do continente têm a acrescentar às instituições democráticas, possibilitando, inclusive, de encontrar soluções originais para antigos problemas.

Acrescentou que as mulheres africanas constituem 50 porcento das comissionadas da União Africana, numa medida acertada da União Africana, de contar com igual percentagem de mulheres e homens nos postos de decisão.

Apesar do reconhecimento internacional da importância da inclusão da mulher, as suas necessidades específicas e contributos em todas as esferas de consolidação e reconstrução da paz, se continua a marginalizar os impactos específicos dos conflitos armados nas vidas das mulheres.

Para assegurar a plena participação da mulher no processo de consolidação da paz e na resolução de conflitos, várias resoluções foram adoptadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas, ressaltando o facto de a história de Angola trazer à luz exemplos evidentes de mulheres notáveis, como a Rainha Njinga Mbandi, que nos séculos XVI-XVII deu um exemplo de tenacidade na defesa do seu povo.

Luzia Inglês apontou ainda como exemplo, Lweji a Nkonde, esposa do poderoso Tchibinda Ilunga, na construção do vasto e sólido Império Lunda- Luba, assim como a eficiente governação de Ranavolana III, a última figura de uma linhagem de rainhas que representou o último século da monarquia malgaxe matrilinear, entre outras e tantas mulheres africanas que participaram em várias mediações de conflitos.

A também secretária-geral da OMA, reconheceu que em África ainda existem casos de discriminação contra a mulher, por isso, urge a necessidade de união da classe feminina, para construir uma relação de parceria com o homem em todas as esferas da vida, reconhecendo que este processo inicia no seio da família, através da educação baseada no género, onde cada um assume o seu papel e promove a partilha, solidariedade e o respeito pela opinião de cada um.

“É preciso incluir nos planos de acção mecanismos de implementação para reconhecer o papel de liderança da mulher, a sua voz e representação como um factor fundamental para garantir um desenvolvimento sustentável”, exortou.

Inga sublinhou a necessidade a mulher envolver-se em assuntos vitais para o desenvolvimento sustentável, como o uso de energias renováveis e novas técnicas de pesca e agricultura, o que facilitaria a sua vida e traria um impacto sobre o planeta.

Reconheceu que, apesar de todas as adversidades, a mulher africana tem obtido reconhecimento mundial pelo seu activismo e liderança, pois elas têm feito a diferença, contornado as dificuldades e propondo mudanças sociais e políticas.

Luzia Inglês fez recordar que a União Africana estabeleceu os princípios orientadores para garantir que os objectivos da Década da Mulher sejam realizados com sucesso, incluindo a disponibilização de recursos suficientes para a efectivação dos programas e actividades que vão ser materializados durante a década (2010-2020). (Angop)

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