MPLA apela ao voto da diáspora e UNITA denuncia erros

Militantes do MPLA em Portugal (DW)

Com o recenseamento eleitoral a decorrer no país, partido no poder pede a residentes no estrangeiro que voltem em 2017 para votar MPLA. UNITA reitera falta de transparência e reclama direito ao voto para a diáspora.

A União Nacional para a Independência de Angola (UNITA), o maior partido da oposição em Angola, quer transparência na realização do processo de recenseamento eleitoral em curso, exigindo aos cidadãos angolanos que estejam atentos na hora de se apresentarem às mesas para o registo ou renovação do cartão de eleitor. O partido do Galo Negro insiste, por outro lado, na necessidade de se criar legislação que dê a todos os angolanos na diáspora o direito de voto nas eleições em Angola.

Ao mesmo tempo, o partido no poder, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), está já a sensibilizar os seus militantes com vista a alcançar bons resultados no pleito eleitoral – legislativas e presidenciais – de Agosto de 2017. Depois do VII Congresso ordinário do MPLA, as estruturas do partido no estrangeiro preparam ações que podem passar por mobilizar angolanos na diáspora para a deslocação a Angola para votar.

Campanha do MPLA já mexe lá fora

Em Portugal, já são visíveis as movimentações das estruturas do MPLA a pensar nas eleições gerais de 2017. Em algumas cidades e bairros portugueses habitados por comunidades expressivas de angolanos, já se vêem arruadas, promovidas principalmente por pequenos grupos de militantes da juventude do partido, a JMPLA.

As acções a realizar nos próximos meses dependem ainda das conclusões do congresso ordinário do partido no poder, realizado entre 17 e 20 de Agosto, explica Rosa da Silva de Almeida, representante do MPLA em Portugal desde 2000, a cumprir já o terceiro mandato. “Planeio reunir com as estruturas para orientações, informar como decorreu o congresso e comunicar aos militantes o que deveremos fazer, as orientações que recebemos em Luanda”, afirma.

Embora a lei não permita o voto dos angolanos radicados no estrangeiro, a representação do MPLA tem trabalhado junto da comunidade no plano da informação e da sensibilização, visando mobilizar os angolanos a votarem a favor de uma vitória do partido liderado por José Eduardo dos Santos.

Rosa da Silva de Almeida, também fundadora do núcleo da Organização da Mulher Angolana (OMA) em Portugal, explica que, em relação às eleições de 1992, muitos cidadãos a viver no estrangeiro deslocaram-se a Luanda no período de férias para obter o cartão de eleitor. Para as eleições de 2017, o apelo vai no mesmo sentido.

“Há muitos angolanos que têm o cartão eleitoral, encontram-se cá. Uns vêm de passagem, outros têm familiares em Angola e vão cumprir com o seu direito de cidadania. E, por isso, nós teremos que trabalhar, sensibilizar essas pessoas para que não deixem de ir a Angola na altura da votação e agora fazerem a sua prova de vida para confirmarmos realmente quantas pessoas somos”, explica a representante do MPLA em Portugal.

Por outro lado, adianta, ainda está em estudo um mecanismo eficiente de prova que permita o recenseamento dos doentes e estudantes no estrangeiro. Rosa de Almeida considera importante a realização do recenseamento eleitoral em curso, com vista à actualização dos cartões.

UNITA denuncia falhas e pede direito ao voto para todos

Antonito Mugongo Cayeye, que integra a estrutura da UNITA em Portugal, não deixa margem para dúvidas: “[O processo eleitoral] não é e não tem sido transparente”. E vai mais longe, afirmando que “nunca se realizaram eleições com processos totalmente transparentes em Angola”.

Nesta altura de recenseamento eleitoral, explica Cayeye, a UNITA está “a incentivar os angolanos a actualizarem os cartões e para que denunciem quando forem a uma mesa de actualização e não houver fiscais de outros partidos, porque todos os partidos com assento no Parlamento ou credenciados devem ter fiscais em mesas de actualização dos cartões”.

O militante do maior partido da oposição angolana afirma que já se verificaram irregularidades que configuram tentativa de inflacionar os números do registo eleitoral. A UNITA, que deseja uma alternância governativa, tem no centro da sua agenda as eleições gerais de 2017. Uma das lutas do partido do Galo Negro no plano externo é a conquista do direito de voto dos angolanos na diáspora. “Acima de tudo, queremos, como angolanos, ter a oportunidade de votar a partir do estrangeiro”, diz Mugongo Cayeye. “Cá em Portugal somos um número grande de angolanos. Em França, em Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer parte onde haja angolanos, queremos exercer o nosso próprio direito de voto.”

Já a representante do MPLA Rosa da Silva de Almeida defende que esta matéria – que vai implicar uma alteração da legislação – deve ser resolvida “cuidadosamente”.

“O Consulado tem de fazer um recenseamento. Há muitos angolanos que, embora vivam cá, ainda têm os documentos do tempo colonial. Podem mandar [pedir] uma certidão, mas há muitos que não têm e, muitas vezes, aparecem com documentos falsos. E isto é uma coisa muito importante para nós”, explica. No entanto, a dirigente do MPLA considera que, para já, esta não é uma matéria prioritária. (DW)

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