Montenegro acusa de hipocrisia e “sonsice” quem pede propostas ao PSD

36.º Congresso do PSD. (Lusa)

No dia em que arrancam as jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, o líder parlamentar do PSD desafiou o PS a dizer se aceita incluir no documento as preocupações económico-financeiras do partido. Montenegro abordou ainda a questão das autárquicas, desdramatizando o anúncio da candidatura de Assunção Cristas à Câmara de Lisboa.

O líder parlamentar do PSD acusou de “sonsice” e hipocrisia quem pede aos sociais-democratas que apresentem propostas para o Orçamento do Estado, desafiando o PS a dizer se aceita incluir no documento as preocupações económico-financeiras do partido.

No dia em que arrancam as jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, Luís Montenegro diz ser ainda “prematuro” fechar já a estratégia orçamental do partido, que no anterior Orçamento optou por não apresentar quaisquer propostas alternativas, mas fez questão de lembrar que a base da política económica e financeira do atual Governo é “a antítese” das ideias do PSD nesta matéria.

“Chega a ser um bocadinho hipócrita, chega a haver alguma sonsice que aqueles que criticam de alto a baixo as propostas do PSD agora parecem estar à espera que o PSD vá alterar o que quer que seja no OE”, afirmou Montenegro, em declarações aos jornalistas.

Para o líder parlamentar social-democrata, “a questão pode ser posta ao contrário”, desafiando o PS a dizer se vai aceitar algumas das orientações do PSD: “O PS vai deixar de fazer reversões? Vai baixar o IRC como se tinha comprometido connosco? Vai deixar de centrar a carga fiscal nos impostos sobre os combustíveis? Vai reintroduzir o quociente familiar?”.

“É o próprio primeiro-ministro quem se esforça praticamente todos os dias por assinalar essas diferenças, quer na prática, com as reversões que tem feito, quer com a crítica acirrada às propostas do PSD”, alertou, reiterando que “este é o tempo de o Governo e dos partidos que o apoiam apresentarem a sua proposta” orçamental na Assembleia da República.

O líder parlamentar do PSD contrariou ainda a ideia de que uma eventual não apresentação de propostas na discussão do OE desvalorize a participação do partido neste processo, sublinhando que, no último debate orçamental, mesmo sem propostas, “o PSD foi o partido que fez mais intervenções”.

Se em matéria de OE não deverão sair propostas das jornadas do PSD, o líder parlamentar promete, contudo, iniciativas concretas em matérias como educação, arrendamento, investimento ou política florestal.

“Tentaremos aprofundar o que têm sido os efeitos da falta de investimento que é hoje talvez o elemento indicador económico mais prejudicial.”

Nas jornadas participarão dois ex-ministros de Governos socialistas, Luís Amado e Daniel Bessa, presenças que Luís Montenegro justifica com o mérito desses antigos governantes e a necessidade de ouvir também ideias políticas que podem ser diferentes das do PSD.

“O nosso objetivo é ir à sociedade buscar os melhores e às vezes dentro dos melhores também há pessoas dos outros partidos”, referiu.

O socialista Luís Amado, antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros dos Governos liderados por José Sócrates, será o orador num jantar-conferência sobre “Os desafios da Europa”, esta segunda-feira à noite.

Já o antigo ministro da Economia de António Guterres Daniel Bessa integrará um painel, na terça-feira de manhã, sobre “Desenvolvimento Económico e Atração do Investimento”.

As jornadas parlamentares do PSD arrancam esta segunda-feira de manhã, com uma visita ao agrupamento de Escolas Infante D. Pedro, em Penela (Coimbra), estando a sessão de abertura marcada para as 15:00, com intervenções do presidente do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e do presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra, Maurício Marques.

O primeiro painel do dia será dedicado à educação e, o segundo, à coesão territorial, com o encerramento das jornadas marcado para terça-feira à hora de almoço, com a intervenção do presidente do partido, Pedro Passos Coelho.
Montenegro desdramatiza candidatura de Cristas à Câmara de Lisboa

Luís Montenegro também falou sobre as autárquicas. O líder parlamentar do PSD excluiu-se de qualquer disputa eleitoral autárquica, mas considerou que o partido tem condições para apresentar “uma candidatura ganhadora a Lisboa”, dizendo que Assunção Cristas representa “a candidatura do CDS”.

O deputado do PSD desdramatizou o anúncio da candidatura da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, à Câmara Municipal de Lisboa.

“Não há drama nenhum na candidatura da dr.ª Assunção Cristas, agora temos de ter noção de uma coisa – é a estratégia e a candidatura do CDS”, sublinhou, acrescentando que os democratas-cristãos não são os adversários autárquicos do PSD.

Questionado se admite protagonizar ele próprio uma candidatura a Lisboa ou ao Porto, depois de ter sido autarca em Espinho, Montenegro excluiu essa possibilidade, dizendo ter encerrado em 2013 uma experiência autárquica de 20 anos.

“Neste momento não tenho nenhuma intenção – e portanto isso não irá acontecer – de retomar a minha vida autárquica. No PSD, temos de procurar bons protagonistas mas eu neste caso estou concentrado no meu trabalho parlamentar (…). Há muitos quadros no PSD com mais disponibilidade e mais capacidade”, referiu.

O líder parlamentar do PSD recordou que o partido já aprovou um calendário interno com vista à apresentação dos candidatos às autárquicas, que se disputarão no outono do próximo ano, e que passa por fechar este processo até ao primeiro trimestre de 2017.

“Dentro do calendário que já aprovámos, creio que temos todas as condições para apresentar uma candidatura ganhadora a Lisboa e eu diria que Lisboa precisa muito disso”, referiu, apontando a capital portuguesa como “uma cidade desorganizada e caótica do ponto de vista do trânsito”.

“Só quem não anda em Lisboa é que pode estar tranquilo relativamente ao que tem sido a política municipal”, referiu, dizendo que “o PSD como principal partido de oposição precisa e tem condições de apresentar uma candidatura forte”.

O líder parlamentar social-democrata recusou-se a apontar nomes de candidatos autárquicos para as duas principais cidades do país, mas considerou que o partido tem “boas personalidades” para esses dois combates e que nenhum deles está decidido à partida.

“Nenhuma dessas eleições está decidida – Lisboa manifestamente está muito carenciada de uma outra liderança política, o Porto tem um enquadramento diferente porque o presidente da Câmara [Rui Moreira] emanou de uma candidatura independente”, disse, mas realçando que, “no Porto, muitas vezes tem ganhado as eleições aquele candidato que à partida não é o favorito”. (Tvi24)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA