Milhares de espanhóis protestam em Madrid pelo fim da corrida de touros

Milhares se reúnem na Puerta del Sol, em Madrid, em 10 de Setembro de 2016, para pedir o fim da matança de touros (AFP)

Milhares de pessoas tomaram as ruas de Madrid, neste sábado (10), para reivindicar a “abolição da tauromaquia”, a arte de tourear, depois de terem conseguido a proibição da célebre festa do “Toro de la Vega”, que termina com a morte do animal, abatido com lanças.

Os manifestantes levavam cartazes com lemas como “tourear, escola da crueldade”, ou “corrida, vingança nacional”.

Com megafones, porta-vozes do Partido Animalista contra os Maus-Tratos a Animais (PACMA) pediam “o fim de todos os espectáculos taurinos e festivos sangrentos”.

Fundado há 13 anos, o PACMA mobiliza cada vez mais militantes e manifestantes. O partido conseguiu 284.000 votos nas eleições legislativas de Junho passado.

Essa formação milita pela proibição das corridas e também denuncia a “crueldade” de certas tradições, como a de pôr bolas de fogo nos chifres dos touros em certas festas locais.

No semestre passado, a região de Castilla y León (norte) anunciou “a proibição de matar touros em público em festas taurinas populares e tradicionais”. Como consequência, proibiu-se a histórica festa do Touro de la Vega, realizada em Setembro na cidade medieval de Tordesillas. Nela, o touro era tradicionalmente perseguido e ferido com lanças, antes de morrer diante da multidão.

“O touro sente, sofre, é um mamífero superior como nós. É uma vergonha nacional”, afirmou a professora Chelo Martín Pozo, de 39, recém-chegada de Sevilha, ao sul, para participar da manifestação.

“Se a corrida me representa, eu não sou espanhola”, frisou, referindo-se a um país onde o embate com o touro é elevado à categoria de arte.

Na passeata, enquanto os manifestantes denunciavam a corrida como “uma tortura”, outros gritavam “mentira”, mostrando o quão polémico esse tema é na Espanha.

A comunidade autónoma da Catalunha proibiu as corridas em 2012, e várias prefeituras e regiões adoptaram medidas para deixar de subvencionar a tauromaquia, ou até mesmo proibir sua realização.

Segundo o jornal El País, em 2015 foram organizadas na Espanha 1.736 corridas e festas taurinas profissionais, 132 a menos do que em 2014. As festas populares são as mais numerosas, porém: 16.383, ao todo, no ano passado. (AFP)

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