Marques Mendes: “Despesa está controladíssima” e Bruxelas quer défice de 1,4%

Marques Mendes (Negocios)

O comentador político disse na SIC que a Comissão Europeia pretende que o Orçamento do Estado contemple uma descida de 1 ponto percentual no défice. O Governo e Bruxelas estão separados por quatro décimas.

Os dados da execução orçamental de Agosto só vão ser conhecidos esta segunda-feira, mas o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, já revelou na noite deste domingo algumas indicações sobre os números.

Do lado da receita os dados “não são famosos, são maus”, sobretudo devido à evolução do IVA. Já do lado da despesa os dados são positivos para o Governo, pois a despesa “está controladíssima”, à custa de “mais cortes no investimento público” e outros itens, revelou o ex-líder do PSD no seu habitual espaço de comentário na SIC, aos domingos à noite.

A execução orçamental será revelada esta segunda-feira, depois de na última sexta-feira o INE ter revelado que o défice orçamental no primeiro semestre ficou em 2,8%, abaixo do período homólogo, mas acima da meta do Governo para a totalidade do ano.

No período de análise dedicado ao Orçamento do Estado para o próximo ano, Marques Mendes revelou ainda que o Governo e a Comissão Europeia mantêm posições divergentes quanto à meta do défice para 2017, com quatro décimas a separarem o executivo de António Costa de Bruxelas.

Bruxelas quer uma descida de 1 ponto percentual e que o défice se situe em 1,4%, enquanto o Executivo liderado por António Costa aponta para 1,8%, referiu Luís Marques Mendes na sua análise semanal de domingo na SIC, que está também disponível no Negócios.

De acordo com a mesma fonte, o Orçamento conterá uma previsão “realista” para o crescimento da economia, já que estima o PIB a crescer entre 1,3% e 1,5%.

Em termos sociais o Orçamento ficará marcado pela prioridade dada ao aumento das pensões mais baixas, enquanto em termos fiscais é um Orçamento a “fazer a quadratura do círculo”, pois “acaba a sobretaxa do IRS”, mas “aumentam os impostos indirectos e do património”.

A TSU de Costa

Sobre a intenção do Governo de aplicar uma taxa sobre o património imobiliário de elevado valor, Marques Mendes diz que este novo imposto sobre o património é “uma espécie de TSU de António Costa”, devido ao “choque” e indignação nas pessoas que gerou, bem como ao recuo que obrigou.

“Tal como na TSU de Passos Coelho, também o Governo Costa teve de recuar. Ainda ninguém sabe exactamente como é que este imposto vai ficar. Mas duas coisas são certas. Nunca se aplicará a património abaixo de 1 milhão de euros. E dará uma receita baixa. O que significa que, ao recuar, o Governo fica com a fama sem ter o proveito”, disse Marques Mendes.

“Com a TSU em 2012, Passos Coelho ficou com sequelas graves. Perdeu milhares de eleitores. Nunca recuperou. António Costa vai sobretudo perder investidores. O mal está feito. Os investidores ficaram assustados e de pé atrás”, acrescentou. (Negocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA