Luís Amado defende soluções de “centro radical, em reacção à incerteza radical”

(Negocios)

Para o antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, “é preciso uma forma inovadora capaz de garantir confiança e estabilidade” que, ao mesmo tempo, tenha “capacidade de reforma”.

O ex-ministro Luís Amado defendeu esta terça-feira, 13 de Setembro, que se Portugal fosse capaz de garantir mais estabilidade conseguiria captar mais investimento e crescer mais, apontando o “centro radical” como a fórmula política mais consistente em tempos de incerteza.

Num jantar-conferência sobre “os desafios da Europa” nas jornadas parlamentares do PSD, Luís Amado traçou um diagnóstico negro sobre o actual panorama europeu e defendeu novas soluções, perante a fragmentação do sistema político.

“É por isso que defendo mais soluções do tipo centro radical, em reacção à incerteza radical (…). Quem for capaz de oferecer mais certeza, mais previsibilidade, mais estabilidade tem uma vantagem competitiva enorme”, disse.

“Aliás, se o nosso país fosse capaz de garantir tudo isso – mais certeza, mais previsibilidade, mais estabilidade, mais segurança – nós teríamos seguramente num contexto de tanta desordem que vai por esse mundo fora, e em particular na Europa, uma oportunidade muito melhor de crescer, captar investimento, atrair capitais”, disse.

Para o antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, “é preciso uma forma inovadora capaz de garantir confiança e estabilidade” que, ao mesmo tempo, tenha “capacidade de reforma”.

“Centro radical para tempos de radical incerteza, centro radical – é essa a minha fórmula política mais consistente”, reiterou.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que se juntou às jornadas parlamentares do partido na segunda-feira à noite, agradeceu a “intervenção muito rica” de Luís Amado e deixou uma nota pessoal.

“Eu sou acusado de ter visões apocalípticas, catastrofistas, mas fico surpreendido quando vejo as visões que me querem emprestar sobre o futuro. Se não concebo um futuro apocalíptico, também não me parece atitude adequada partir do princípio de que as coisas sempre se resolvem e se encontra uma boa solução – devemos lutar por ela”, concluiu Passos Coelho.

Antes, Luís Amado defendeu que Portugal deve ter “um papel activo” no processo de negociação da saída do Reino Unido da União Europeia e pediu um entendimento entre os partidos do arco da governação nesse processo.

O antigo governante defendeu que Portugal pode aproveitar este momento europeu difícil, que considera ter culminado na saída do Reino Unido, para fazer um reposicionamento geopolítico.

“Seria bom revisitar o conceito estratégico nacional, nos seus fundamentos, nos seus pressupostos e acho que os partidos mais responsáveis que têm sido chamados a governar o país não podem deixar de se entender para reposicionar o país num momento tão importante”, defendeu.

Para Luís Amado, Portugal “deve ter uma acção muito facilitadora” do processo de saída do Reino Unido e “recentrar as suas expectativas na relação do poder euro-atlântico”, virado para os Estados Unidos e no qual o Reino Unido pode ter um papel de intermediação.

“Portugal não pode ignorar a aliança histórica que tem com o Reino Unido, em vez de alinhar com uma reacção mais apaixonada eu iria no sentido contrário, o Reino Unido precisa de ser ajudado, Portugal é um velho aliado do Reino Unido e Portugal devia ter um papel activo”, disse.

Luís Amado considerou que a União Europeia vive “um momento de transição para uma nova era”, classificando a situação internacional como “muito perigosa”.

Para o ex-ministro, a aprovação do tratado de Lisboa foi a última tentativa da Alemanha para que a Europa evoluísse “de forma simétrica, harmoniosa e ao mesmo ritmo”.

“Essa Europa acabou, não estamos mais na Europa da União Europeia”, disse, vaticinando que “o tratado de Lisboa terá longa vida” porque não haverá capacidade de consenso dos 28 nos próximos anos para um novo tratado. (Negocios)

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