Luanda. Raptores queriam três milhões para libertar português

Um português de 50 anos esteve três dias raptado em Luanda, juntamente com um cabo-verdiano, com os sequestradores a usarem violência e a pedirem à família um resgate de três milhões de dólares, anunciou esta quarta-feira a polícia angolana.

A Polícia Nacional de Angola apresentou aos jornalistas, no comando de Luanda, os três suspeitos, dois de nacionalidade nigeriana e um da República Democrática do Congo, detidos na operação especial de resgate desencadeada no dia 23 de setembro.

De acordo com a polícia, os três homens, em situação ilegal em Angola e com idades entre os 32 e os 42 anos, foram os autores de outros cinco raptos de estrangeiros ocorridos em Luanda em março passado.

“Foi pedido um resgate, várias vezes, mas foi tudo coordenado para que isso não acontecesse. Em alguns momentos houve até um tratamento violento, mas foi possível às pessoas que estavam lá aguentar e agora estão sãos e salvos”, disse hoje aos jornalistas o diretor provincial da Investigação criminal de Luanda, Amaro Neto.

O português, administrador da empresa SIAP, foi raptado no município de Belas (Talatona), arredores de Luanda, pelas 21h00 do dia 20 de setembro. O cidadão cabo-verdiano – também com nacionalidade indiana -, comerciante de 44 anos, estava “em cativeiro” desde 19 de setembro, quando foi raptado em Viana, também nos arredores da capital angolana.

“Começou com 3 milhões [de dólares, de pedido de resgate], depois passou para dois milhões e depois para um milhão. Mas qualquer um desses valores não foi entregue”, garantiu o responsável pela investigação criminal de Luanda.

Ambos foram libertados a 23 de setembro numa operação autorizada “ao mais alto nível”, no sul de Luanda, onde os dois estrangeiros estavam retidos e que envolveu várias forças de polícia.

Segundo Amaro Neto, os raptores foram “surpreendidos” pela dimensão da intervenção policial e não ofereceram resistência, apesar de os investigadores terem apreendido na posse dos suspeitos cinco espingardas automáticas AKM e 15 carregadores com munições.

Foram apreendidas igualmente três viaturas, inclusive um táxi de transporte informal de passageiro, alegadamente utilizado para realizar os raptos, além de 10 milhões de kwanzas (54 milhões de euros) em dinheiro.

Observador

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