Liberdade de imprensa ameaçada em São Tomé ?

Patrice Trovoada (RFI/Liliana Henriques)

A Associação de Jornalistas de São Tomé e Príncipe pediu ao Ministério Público um esclarecimento sobre a denuncia feita pelo primeiro-ministro Patrice Trovoada, afirmando que um jornalista recebeu uma arma de guerra na Presidência da República.

A denúncia foi feita pelo primeiro-ministro são-tomense na última entrevista à imprensa publica do país. Sem precisar o nome, Patrice Trovoada terá afirmado que um jornalista recebeu uma arma de guerra na Presidência da República.

” Os jornalistas e, particularmente, aqueles que procuram fazer o seu trabalho com independência não pode ser confundida com a de um mercenário”, sublinhou o chefe do executivo.

A Associação de Jornalista do país decidiu entregar uma exposição em que solicita ao Ministério Público o esclarecimento da denúncia feita pelo primeiro-ministro são-tomense. Em entrevista à RFI, Juvenal Rodrigues, presidente da Associação de jornalistas, diz que quer que a pessoa seja identificada.

“Entendemos enquanto Associação de Jornalistas que o poder neste momento tem todas as capacidades de fazer uma investigação concreta, objectiva para perceber se a pessoa que teria recebido a tal arma, não sabemos se recebeu ou não (…) Fomos obrigados a recorrer ao Ministério Público, já que o senhor primeiro-ministro não quis identificar a pessoa, para que faça esse trabalho”.

Juvenal Rodrigues denuncia que há uma tendência para perseguir alguns jornalistas. “Neste contexto actual de excesso de poder, nós ficamos com a impressão que a tendência é tentar ameaçar, tentar condicionar os trabalhos dos profissionais que não prestam vassalagem ao poder”.

Actualmente em São Tomé e Príncipe o chefe de Estado e o primeiro-ministro são da mesma cor política, ADI, uma situação inédita no país e que suscita receios sobre a concentração de poderes. (RFI)

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