Jornalista húngara que agrediu migrantes é indiciada

Captura de tela de vídeo mostra a jornalista Petra Laszlo chutando uma menina migrante durante um distúrbio, em Roske, Hungria, no dia 9 de setembro de 2016 (AFP)

Uma jornalista húngara que provocou indignação por ter agredido migrantes com chutes no ano passado foi formalmente indiciada pela justiça.

Petra Laszlo foi acusada de “perturbação da ordem pública”, de acordo com um comunicado assinado pelo promotor do condado de Csongrad (sul da Hungria), Zsolt Kopasz.

Após as investigações, no entanto, a justiça considerou que a atitude da jornalista, filmada por outros repórteres e divulgada no mundo inteiro, “não foi motivada por considerações étnicas ou pela condição de migrantes das pessoas agredidas”.

As imagens da cinegrafista, com a câmara no ombro, dando um pontapé em um homem e seu filho e tentando dar uma rasteira em uma criança na fronteira entre Hungria e Sérvia, provocaram grande indignação.

O governo húngaro já estava sob fortes críticas por sua atitude hostil em relação aos migrantes.

O incidente aconteceu em 8 de Setembro de 2015, quando centenas de solicitantes de asilo, que viajaram até a Grécia pela costa turca, transitavam diariamente pela rota dos Balcãs em direcção a Alemanha.

No dia em questão, vários grupos conseguiram forçar a passagem pelo cordão de isolamento dos policiais húngaros, que tentavam impedir sua entrada no país.

A rasteira da jornalista, que trabalhava para um canal de TV ligado à extrema-direita, “não provocou ferimentos, mas seu comportamento provocou indignação e revolta entre as pessoas presentes”, destaca a Promotoria. Demitida pouco depois, a Petra se defendeu alegando que entrou em pânico.

A Hungria completou uma semana depois do incidente a construção de uma cerca de arame farpado ao longo da fronteira com a Sérvia, que depois foi seguida por outra na fronteira com a Croácia, o que reduziu consideravelmente a passagem de migrantes por esta rota.

O pai de família sírio agredido pela jornalista obteve asilo na Espanha. (AFP)

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