Hollande evoca “os próximos anos”

Presidente Hollande durante o discurso que pronunciou hoje em Paris. (REUTERS/Christophe Ena/Pool)

Num pronunciamento muito esperado depois de semanas dominadas pelos debates em torno das primárias à direita previstas para Novembro com vista às presidenciais do ano que vem aqui em França, o Presidente François Hollande esboçou o que observadores interpretam como um discurso de pré-campanha eleitoral.

Colocado sob a pressão da perspectiva da organização de primárias no seu próprio campo, com uma série de líderes a colocarem-se já na corrida como por exemplo o antigo ministro Arnaud de Montebourg ou ainda o recém-saído Emmanuel Macron, o Presidente que deve pronunciar-se até ao final do ano, deu hoje indícios sobre as suas intenções ao referir no seu discurso pronunciado na sala Wagram em Paris que “não vai deixar a imagem da França, o prestígio da França, a influência da França alterar-se nos próximos meses ou nos próximos anos”.

Ao defender o seu balanço na luta contra o terrorismo que tem sido bastante atacado pelos seus mais directos adversários à direita, o antigo presidente Nicolas Sarkozy e o antigo primeiro-ministro Alain Juppé, François Hollande colocou-se em defensor da democracia face ao terrorismo e rejeitou os apelos da direita à adopção de medidas de excepção para combater e prevenir os ataques. Visando Alain Juppé que recentemente evocou a identidade francesa como sendo uma “identidade feliz”, Hollande referiu que a “identidade não é feliz nem infeliz. A França é bem mais do que uma identidade, é uma ideia, um projecto, uma ambição”. Visando por outro lado Sarkozy, o presidente francês ironizou referindo que “os princípios constitucionais não são ‘argúcias jurídicas'”.

Neste discurso, o Presidente não deixou também de tentar “arrumar a casa”, designadamente no tocante às medidas adoptadas nas últimas semanas por alguns autarcas de direita quanto à proibição do uso do burquini, medidas que Manuel Valls não tinha desaprovado. François Hollande esclareceu que “não haverá legislação de circunstância tão inaplicável quanto anticonstitucional enquanto for presidente”.

Paralelamente, Hollande esboçou também algumas linhas mestras da sua estratégia para os próximos tempos. Ao apresentar-se como o defensor do modelo social francês, através das reformas que tem conduzido, o presidente francês também referiu que pretende melhorar a representatividade das assembleias “para abri-las mais à diversidade da sociedade francesa” e que tenciona igualmente ir mais longe nas medidas para lutar contra a acumulação de mandatos por parte dos responsáveis públicos.

O discurso de hoje não deixou evidentemente de suscitar reacções no microcosmo político francês, a direita de Sarkozy e de Juppé tendo considerado em traços gerais que “não se tratou do discurso de um presidente, mas sim de um líder partidário”. Quanto à opinião geral, uma sondagem efectuada ainda antes do discurso presidencial creditava Hollande de apenas 15% de opiniões favoráveis, uma larga maioria de 81% dos inquiridos tendo declarado “não confiar no presidente para enfrentar eficazmente os problemas que se colocam ao país”. (RFI)

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