Gabão permanece na expectativa

Séraphin Moundounga demitiu-se ontem do posto de ministro da Justiça (Flickr cc)

Apesar de uma relativa acalmia, quase uma semana depois de uma explosão de violência com pelo menos 7 mortos na sequência do anúncio dos resultados das presidenciais de 28 de Agosto em que o presidente cessante Ali Bongo Ondimba foi dado vencedor face ao seu adversário Jean Ping com um avanço de um pouco mais de 5500 votos, o Gabão permanece na expectativa, não havendo por enquanto solução à vista.

Cada parte continua firme nas suas posições, Ali Bongo reclamando para si a vitória enquanto Jean Ping também se proclama vencedor e reclama uma nova contagem dos votos. O campo presidencial sugere que a oposição apresente as suas reclamações junto do Tribunal Constitucional, o que o campo de Jean Ping recusa por considerar que a justiça está totalmente sob a alçada do poder de Ali Bongo. Neste contexto já por si conturbado, ao pedir igualmente uma nova contagem dos votos, um dos pesos pesados do governo, Séraphin Moundounga, apresentou ontem a sua demissão do posto de ministro da justiça bem como de segundo vice-primeiro ministro por considerar que “do lado do poder, não se está a dar resposta à necessidade de garantir a paz e o reforço da democracia”.

Este agudizar da tensão não deixa de suscitar preocupação a nível internacional. A missão de observação da União Europeia deu conta hoje de “uma evidente anomalia” na análise dos resultados das eleições. Por sua vez, a União Africana anunciou que vai enviar em breve, “logo que as condições estejam reunidas” uma delegação de alto nível a Libreville no intuito de ajudar a resolver esta crise pós-eleitoral. Também preocupado está o primeiro-ministro francês Manuel Valls que esta manhã sugeriu que se procedesse a uma nova contagem dos votos. Até hoje, tanto a França como os Estados Unidos limitavam-se a reclamar a publicação dos resultados oficiais.

No terreno, embora alguma actividade tenha retomado, o medo é o sentimento que predomina, como refere Ivanilda Hipólita Anhesse, guineense residente na capital do Gabão. (RFI)

por Liliana Henriques

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