Financial Times: Nord Stream 2 visa punir a Ucrânia

(AP Photo/ Dmitry Lovetsky)

A decisão da empresa estatal russa Gazprom de realizar de modo independente o projecto do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2) é ditada por razões não comerciais mas sim geopolíticas, escreve o jornal Financial Times.

A empresa decidiu avançar de maneira autónoma após a decisão do regulador anti-monopólio polaco, que desaprova a criação de uma empresa conjunta da Gazprom e de cinco companhias europeias, escreve a edição.

Com isso, a empresa russa julga que os parceiros europeus “encontrarão uma forma de contribuir para o projecto”.

Os políticos alemães, incluindo Angela Merkel, parecem apoiar o projecto. Segundo eles, o gasoduto vai permitir evitar os riscos de trânsito que Europa enfrentou em 2006 e 2009 durante as disputas entre a Rússia e a Ucrânia.

Ex-embaixador da Bulgária na Rússia Ilian Vassilev julga que esta ideia de realização independente do projecto está no limiar de “excessivo optimismo”, tendo em conta o estado financeiro da Gazprom.

Esta situação, junto com o avanço do projecto de Turkish Stream (Corrente Turca), mostra que a política de exportação da companhia russa é determinada por razões geopolíticas, lê-se no artigo. As iniciativas da Gazprom visam privar a Ucrânia de estatuto de país de trânsito de combustíveis até o ano de 2019 (neste ano terminará o contrato de trânsito com Kiev).

Maros Sefcovic, o comissário europeu da Energia chamou este projecto de “punição da Ucrânia”. Segundo ele, o gasoduto Corrente do Norte 2 contradiz os objectivos da União Europeia (de criar uma união energética).

O ex-embaixador Ilian Vassilev vê outra razão – o desejo da Rússia de criar uma nova “aliança estratégica” com a Alemanha, país que no futuro pode se tornar um centro de trânsito para o gás russo.

O projecto Nord Stream 2 visa fornecer 55 bilhões de metros cúbicos de gás russo por ano à UE através do Mar Báltico e da Alemanha, contornando a Ucrânia. (Sputnik)

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