Dólar no mercado informal de Luanda em forte quebra

O valor médio do dólar nas ruas de Luanda continua em queda e chegou esta quarta-feira a menos de 470 kwanzas, uma descida superior a 10% numa semana.
O valor médio do dólar nas ruas de Luanda continua em queda e chegou esta quarta-feira a menos de 470 kwanzas (2,50 euros), uma descida superior a 10% numa semana, conforme a Lusa constatou numa ronda pela capital angolana.

Estas consecutivas descidas da cotação no mercado informal das ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas estas mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua, surgem após os sucessivos aumentos na injeção de divisas na banca, em curso pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

O preço praticado no mercado de rua permaneceu próximo dos 600 kwanzas por cada dólar norte-americano em agosto e julho, depois de máximos acima dos 630 kwanzas em junho, embora com pontuais flutuações semanais.

A Lusa encontrou esta quarta-feira quem vendesse a nota de dólar, no bairro do São Paulo, a 470 kwanzas, enquanto as ‘kinguilas’ do bairro dos Mártires de Kifangondo cobravam 460 kwanzas, as do Maculusso, igualmente no centro de Luanda, 480 kwanzas e na Mutamba o valor descia para 460 kwanzas.

Há precisamente uma semana, o valor médio cobrado rondava os 530 kwanzas.

Algumas destas mulheres confirmaram à Lusa que “há mais dólar para vender”, mas por outro lado também “menos kwanza” para a troca, mantendo-se a forte procura e por entre os habituais receios da polícia, já que se trata de um negócio ilegal.

Em contrapartida, o BNA vendeu cerca de 900 milhões de euros de divisas aos bancos comerciais em agosto e 930 milhões de euros em julho, valores máximos de 2016. Só em setembro, o banco central angolano já vendeu quase outros 900 milhões de euros em divisas aos bancos.

Aos balcões dos bancos ainda persistem as dificuldades no acesso a divisas – devido à crise que afeta o país, decorrente da quebra nas receitas petrolíferas -, levando clientes a optarem pelo mercado de rua, apesar de taxas de câmbio que ainda são três vezes superiores à oficial (166 kwanzas).

São preços especulativos que, em muitos casos, como para os trabalhadores expatriados, é a única forma de ter acesso a divisas no atual contexto de crise económica, financeira e cambial.

Desde setembro de 2014, a moeda nacional angolana desvalorizou-se em mais de 40 por cento face ao dólar norte-americano, para 166 kwanzas por dólar, à taxa oficial, muito longe dos valores do mercado paralelo.

A inflação também se ressente e os preços a 12 meses atingiram, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, os 38,1% de aumento, até agosto.

Um documento do Governo angolano prevê que a desvalorização da moeda nacional chega até aos 215,5 kwanzas por cada dólar norte-americano até final do ano.

O BNA revelou já em julho que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os setores da economia.

O Presidente angolano exigiu anteriormente ao BNA que encontre soluções para resolver as dificuldades dos clientes e empresas no acesso a divisas, reconhecendo que no momento atual quem tem dinheiro prefere mantê-lo fora do país.

José Eduardo dos Santos explicou que a venda de divisas aos bancos por parte das empresas petrolíferas estrangeiras que operam no país, para obterem moeda nacional para o pagamento das despesas em Angola, são na ordem dos 300 milhões de dólares por mês e não cobrem atualmente as necessidades, como no passado.

O chefe de Estado disse que o Governo recomendou ao BNA que “trate desta matéria com urgência”, em articulação com os bancos comerciais, “para melhor proteger os interesses” de Angola.

Observador

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