Cortes de pessoal na CGD só podem começar dentro de dois meses

(Bruno Simão)

O ministro deu um prazo: só dentro de dois meses há capitalização. Já o presidente da CGD disse aos sindicatos que só depois da capitalização é que há plano de reestruturação. Ou seja, só dentro de dois meses há cortes.

Os cortes na Caixa Geral de Depósitos só vão começar a ser discutidos dentro de dois meses. Só aí é que avançará a recapitalização, segundo o ministro. E aquilo que António Domingues disse aos sindicatos é que só depois de o dinheiro fresco entrar é que haverá reestruturação.

“Enquanto não acabar o plano de recapitalização, não avança a reestruturação”, contou ao Negócios Rui Riso, do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), depois de um encontro com a nova administração do banco público para discutir o seu futuro, que teve lugar esta quarta-feira, 14 de Setembro, e do qual saiu a certeza de que só saem os trabalhadores que quiserem.

Para já, o plano de recapitalização já tem um prazo, definido pelo Ministério das Finanças. No Parlamento, Mário Centeno afirmou que espera que a dimensão de dinheiro fresco a colocar na CGD, num limite máximo de 2,7 mil milhões de euros, esteja definida num “prazo expectável de dois meses”. O valor exacto será apurado através de uma auditoria à Caixa Geral de Depósitos – que as autoridades e o banco público continuam sem anunciar oficialmente quem vai fazer – e que contará com o envolvimento da Comissão Europeia.

Além dos 2,7 mil milhões de euros de aumento de capital directo, o plano de capitalização da Caixa acordado com Bruxelas envolve ainda 500 milhões de euros que serão injectados através da integração da Parcaixa (sociedade que o banco tinha em parceria com a Parpública) e ainda 960 milhões de euros com a conversão das obrigações convertíveis CoCos e respectivos juros corridos em capital.

Há ainda a emissão de mil milhões de euros em obrigações subordinadas, cujas condições não são conhecidas, e que serão colocadas em investidores privados. Ao todo, a capitalização no banco público ascende a 5.160 milhões de euros.

Uma parte desse montante será para financiar as saídas de trabalhadores da instituição financeira – o ministro não confirmou no Parlamento qual o valor. Ao Negócios, Rui Riso afirmou que ainda não está definido qual o número de trabalhadores que vai deixar o quadro de pessoal. O Governo chegou a falar em 2.500 funcionários, dos mais de 9.000 existentes actualmente, mas o número não é certo: até porque têm vindo a ocorrer novas rescisões, já que continua em vigor, por exemplo, o programa Horizonte, de reformas antecipadas. Além do corte de pessoal, o plano da CGD prevê também o encerramento de balcões.

Uma garantia dada ontem aos sindicatos da Federação de sindicatos da banca Febase e ao SBSI foi, contou Rui Riso, de que não haverá despedimentos. O Governo tem dado a mesma segurança, ainda que sem dizer como irá proceder caso não consiga atingir o número de saídas acordado com Bruxelas através das rescisões por mútuo acordo e as reformas antecipadas. Rui Riso acredita que um eventual despedimento colectivo está “completamente fora” de questão.

O que não se sabe são as condições oferecidas nos programas para a saída de pessoal, ainda que Rui Riso acredite que sejam “apelativas” para permitir a saída de um número significativo de pessoal. (Negocios)

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