Conjuntura Económica desafia acção empresarial

(Foto: Vigas da Purificação)

Relatório do Instituto Nacional de Estatística que avalia o desempenho interno no segundo trimestre avança que 80 por cento das empresas em Angola estão fixadas em apenas quatro das 18 províncias.

O relatório estatístico sobre a Conjuntura Económica, no segundo trimestre deste ano, avança que cerca de 80 por cento das empresas do país encontram-se localizadas nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla e Cuanza Sul. Elas empregam, aproximadamente, 53,50 por cento dos trabalhadores a nível nacional.

De acordo com o documento do Instituto Nacional de Estatística (INE), a apresentação de periodicidade trimestral, é o resultado de um trabalho iniciado no III trimestre de 2008 que, completou o ciclo económico, permite a comparação de períodos homólogos.

Para o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta publicação visa retratar a situação económica do momento e a disponibilização da informação estatística de curto prazo. Esta acção, conforme considera o órgão responsável pela execução das estatísticas nacionais, permite uma maior resposta aos instrumentos de avaliação e percepção das expectativas dos agentes económicos.

Os sectores objectivos de recolha foram as indústrias extractiva e transformadora, a construção, o comércio, a comunicação, o turismo e os transportes.

Desempenho por sectores

No que diz respeito ao desempenho por sectores, o da indústria extractiva está constituída por um total de 32 empresas com maior relevância na economia. A província de Luanda apresenta maior número (29), seguida de Benguela e Huíla, com duas e uma, respectivamente. Já a indústria transformadora, de acordo com os dados do INE, apresenta-se com 150 empresas. Quanto a distribuição destas, Luanda controla 81; Benguela 30; Cuanza Sul 23 e Huíla 16.

Por sua vez, o sector da construção está integrado por 50 empresas das quais, Luanda com 27; Benguela com 10; Cuanza Sul com oito e Huíla com cinco. O comércio controla 300 empresas. Luanda surge com 162, ficando com 60 Benguela; 45 para o Cuanza Sul e 33 para a Huíla.

Quanto ao sector do turismo, 49 empresas são as mais representativas. A província de Luanda apresenta o maior número com 45, seguida da Huíla com três e Benguela com uma apenas.

Nos transportes, 50 são as empresas operacionais, das quais Luanda surge com 27, Benguela com 10, Cuanza Sul com oito e Huíla com cinco. Quanto ao domínio da comunicação, são 30 as empresas levantadas pelo INE, todas localizadas na província de Luanda.

Indicadores de confiança

Sobre as tendências do indicador de confiança dos sete sectores, tendo por base a resposta ao inquérito de conjuntura das empresas seleccionadas que influenciaram o clima económico em Angola no II trimestre deste ano, o INE faz uma apresentação analítica e de forma bastante resumida do desempenho dos sectores.

Os sectores em análise apresentaram uma tendência desfavorável ou negativa. A Conjuntura Económica permaneceu desfavorável para os sectores da indústria transformadora e da construção, pois ambas apresentaram tendência negativa e permaneceram abaixo da média da série.

O INE advoga que a evolução negativa deveu-se ao comportamento desfavorável da variável produção actual, perspectiva de emprego e produção no próximo trimestre. No que concerne às limitações de actividade, mais as empresas tiveram constrangimentos no trimestre em comparação ao período homólogo.

A falta de matérias-primas, as dificuldades financeiras e as frequentes avarias mecânicas nos equipamentos foram os principais constrangimentos. A falta de água, energia e de recursos humanos especializados também constringiram as empresas do sector.

Os indicadores de confiança dos sectores do Comércio e dos Transportes apresentaram tendências negativas, tendo evoluído desfavoravelmente em relação ao período homólogo e permaneceram abaixo da média da série, continuando deste modo a conjuntura desfavorável.

(D.R.)
(D.R.)

A Conjuntura Económica permaneceu desfavorável para os sectores da indústria extractiva e do turismo, visto que os indicadores evoluíram negativamente em relação ao período homológo e permaneceram abaixo da média da série.

No turismo, o indicador de confiança no sector contrariou a tendência negativa dos trimestres anteriores e, no entanto, permaneceu abaixo da média da série. Segundo os dados do INE, a Conjuntura Económica é, igualmente, desfavorável nesse sector.

A opinião dos empresários do sector do turismo, ouvidos pelo INE, é de que mais empresas tiveram limitações ao desenvolverem as suas actividades em comparação ao período homólogo.

De acordo com os mesmos, a insuficiência da procura e as dificuldades financeiras foram os principais obstáculos no sector. Adicionalmente, constrangiram também as actividades das empresas, a insuficiência da capacidade de oferta e as dificuldades em encontrar recursos humanos com formação apropriada.

Tendência nos transportes

A Conjuntura Económica continuou desfavorável no segundo trimestre para o sector dos Transportes, pois o indicador evoluiu negativamente em relação ao período homólogo e permaneceu abaixo da média. A actividade actual, perspectivas de actividade e de emprego, contribuíram negativamente no comportamento do indicador.

As dificuldades financeiras e a insuficiência da procura foram os principais constrangimentos. No entanto, a concorrência, as dificuldades na obtenção de créditos bancários e em encontrar recursos humanos com formação adequada, também constrangiram as empresas transportadoras.

No sector de Comunicação, a conjuntura continuou desfavorável, pois, o indicador manteve a tendência dos trimestres anteriores e evoluiu negativamente em relação ao trimestre homólogo. Observou-se ainda a evolução desfavorável do indicador em comparação ao período homólogo, resultante do comportamento negativo das variáveis que o compõem.

A fraca procura, as dificuldades financeiras e o excesso de burocracia foram as principais limitações. A concorrência e as dificuldades na obtenção de créditos bancários também limitaram as actividades das empresas no sector.

Por outro lado, as dificuldades financeiras e a insuficiência dos equipamentos foram os principais constrangimentos para as empresas que operam no sector da indústria extractiva. Nela, o elevado absentismo do pessoal ao serviço, a falta de recursos humanos especializados e de produtos intermédios e energéticos, similarmente limitaram as actividades desta indústria nacional.

PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO CONTA COM PARCEIROS LOCAIS

O inquérito aos sectores da Indústria Extractiva e do Turismo foi implementado no primeiro trimestre de 2011, segundo justificação do Instituto Nacional de Estatística (INE). Por essa razão, só a partir de 2012, com a existência de dados de períodos homólogos, foi possível iniciar a apresentação de gráficos adicionais que permitem a análise da evolução dos dois sectores. No terceiro trimestre de 2013 teve início o inquérito ao sector de Comunicação e, pela mesma razão, só a partir de igual período em 2014, foi possível apresentar os respectivos gráficos.

Por essa e outras razões, o INE agradece às entidades informadoras e a todos que colaboram de forma directa ou indirecta, tornando possível a elaboração das suas publicações.

Para os eventuais comentários, críticas, sugestões ou esclarecimentos, os quais visem melhorar a presente publicação, os responsáveis do organismo explicam que podem ser remetidos a si, concretamente ao seu Departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística (DCNCE).

O INE publica, igualmente, todos os meses o índice de preços ao consumidor (IPC) e o índice de preços ao grossistas (IPG), dois importantes instrumentos económicos, os quais têm implicação directa na formulação de políticas de preços por parte do Executivo, uma vez ser o instituto parte do Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial.

Há ainda da parte do INE, a responsabilidade em produzir o índice de produção industrial (IPI), necessário a avaliação da qualidade da produção nacional.

(jornaldeeconomia)

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